BARREIRAS NO USO DA TELEAUDIOLOGIA PARA ACONSELHAMENTO DE ADULTOS E IDOSOS USUÁRIOS DE APARELHOS AUDITIVOS
Machado, M. G. ;
Resende, L. M. ;
Introdução: A teleaudiologia é ferramenta de atuação fonoaudiológica que permite ações de avaliação e intervenção remota, incluindo realização de atividades informativas para prevenção e resolução de problemas no uso de aparelhos auditivos e capacitação dos pacientes para se envolverem ativamente na gestão de seus cuidados de saúde e reabilitação auditiva. A adesão ao uso dos recursos de teleaudiologia depende das possibilidades de acesso do paciente e do fonoaudiólogo à tecnologia adequada, bem como seu interesse e capacidade de utilizá-la. Objetivos: Identificar e analisar barreiras no uso da teleaudiologia em um programa de aconselhamento remoto para usuários recentes de aparelhos de auditivos. Metodologia: Estudo preliminar descritivo com abordagem qualitativa que utilizou dados coletados em consultório particular antes da aplicação de um programa de aconselhamento remoto para pacientes adaptados a aparelhos auditivos pela primeira vez, no período de agosto a dezembro de 2021. Foram convidados a participar do programa de aconselhamento remoto adultos e idosos com perda auditiva irreversível bilateral, recém adaptados com aparelhos auditivos em ambas as orelhas. A partir deste convite foram analisadas para o presente estudo as barreiras e facilidades dos pacientes para participação das teleconsultas de aconselhamento. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética sob parecer número 4.751.633. Resultados: Dez pessoas que adquiriram aparelhos auditivos de agosto a dezembro de 2021 foram convidados a participar do estudo considerando os critérios de inclusão e exclusão, porém cinco optaram por não participar do programa de aconselhamento remoto. Como barreiras para participação do estudo 80% destes pacientes relataram não conseguir participar das teleconsultas por dificuldades no uso de smartphone ou computador, além de não contarem com apoio de um facilitador para acesso, 40% deles não tinham acesso à internet em casa. Entre os que optaram por não participar quatro eram mulheres e um homem, a idade média foi de 80 anos e os graus de perda auditiva variou entre grau leve e moderada. Entre os pacientes que aceitaram participar do programa de aconselhamento quatro eram homens e uma mulher, a idade média foi de 68 anos e os graus de perda auditiva variaram de leve a severo. Destes 60% tinham autonomia para acessar e participar das teleconsultas sozinhos e os outros 40% contaram com auxílio de um familiar facilitador. Conclusão: A teleaudiologia pode ser uma excelente ferramenta de acesso as informações sobre saúde auditiva e de engajamento no uso de aparelhos auditivos pelos usuários. Porém o fonoaudiólogo deve estar atento ao cuidado centrado na pessoa, observando se há barreiras que impeçam a utilização dos recursos online e se há formas de facilitar este acesso.
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