A INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E SUPERIOR: O FUNCIONAMENTO DE UM SETOR DE ACESSIBILIDADE
Silva, A. P. S. ;
B, F. V. ;
Pavão, S. M. O. ;
Introdução: O número de estudantes com deficiência no ensino superior aumentou de forma significativa há alguns anos, devido em grande parte, a políticas educacionais que favoreceram tal mudança. Esses estudantes devem ser acompanhados, a fim de que o acesso, a permanência e a conclusão do curso se efetivem, e para que isso ocorra, o setor de Acessibilidade da instituição de ensino tem muito a contribuir. O objetivo deste trabalho foi verificar o número de estudantes com deficiência auditiva que ingressaram na educação profissional e superior no período de 2019 a 2021 e relatar o funcionamento de um setor de acessibilidade de uma instituição de ensino superior. Metodologia: Estudo retrospectivo. Os dados foram extraídos do banco de dados do setor de acessibilidade. As ações pedagógicas desenvolvidas estão vinculadas a um projeto de ensino, cadastrado na instituição sob o número 045501. A equipe do setor conta atualmente com uma técnica em assuntos educacionais (Educadora Especial), uma fonoaudióloga, um técnico administrativo, 14 tradutores e intérpretes de Libras e bolsistas de pós-graduação nas áreas de Educação Especial e Terapia Ocupacional. Atuam no setor ainda, bolsistas de graduação que realizam atividades como adaptações de textos, descrição de imagem/audiodescrição e elaboração de materiais diversos. Após o ingresso, os estudantes realizam uma entrevista inicial no setor para que suas demandas sejam conhecidas e seja elaborado um plano de atendimento, caso necessário e o estudante concorde em ser atendido. A seguir, é enviado um memorando às coordenações dos cursos nos quais estes estudantes ingressaram, informando a condição do estudante e quais ações/adaptações podem beneficiá-lo (exemplos: leitura orofacial, uso de legendas e demais adaptações pedagógicas). Este contato com o curso se mantém ao longo do percurso acadêmico, pois a cada semestre mudam os professores e as demandas também vão sendo modificadas. Resultados: No período de 2019 a 2021 ingressaram na instituição 23 estudantes com deficiência auditiva (9 em 2019, 9 em 2020 e 5 em 2021). Destes, 10 se matricularam no ensino profissional e 13 no ensino superior, sendo que 20 ingressaram pela reserva de vagas ("cotas"). Foi possível verificar a diversidade da deficiência auditiva no perfil dos estudantes ingressantes: variados graus de perda auditiva, alguns utilizam implante coclear (IC) e/ou aparelho de amplificação sonora individual (AASI) e sistema FM; alguns utilizam a Libras como forma de comunicação, já outros se comunicam oralmente. Assim, como há essa diversidade na deficiência auditiva, o mesmo ocorre em relação às demandas dos estudantes, destes, 10 utilizam o serviço de tradução/interpretação em libras e 8 frequentam o Atendimento Educacional Especializado (AEE) que é voltado para as questões pedagógicas, entre eles um estudante que também é acompanhado por intérprete de Libras. Conclusão: O setor de acessibilidade exerce função importante no processo de inclusão de alunos com deficiência, tanto no atendimento direto ao estudante, como na interação com professores e coordenação de curso, dialogando, propondo ações/adaptações, bem como fornecendo orientações que irão contribuir durante a permanência do estudante na instituição.
Marquesan, I. Q., Silva, H. J. e Tomé, M. C. (Org.). Tratado das Especialidades em Fonoaudiologia. In: Santana, A. P. O. e Soltosky, M. Atuação Fonoaudiológica na Educação. 1º Ed. São Paulo: Ed Roca. 2014. P. 488-496.
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