EMISSÕES OTOACÚSTICAS TRANSIENTES E POTENCIAL EVOCADO AUDITIVO DE TRONCO ENCEFÁLICO EM NEONATOS E LACTENTES QUE AS MÃES APRESENTARAM COVID 19 NO PERÍODO GESTACIONAL.
OLIVEIRA, A.P. ;
SANTOS, R.M.G. ;
INTRODUÇÃO: a COVID-19, do vírus SARS-CoV-2, causa uma doença sistêmica e os indivíduos manifestam diferentes espectros da doença, variando desde sintomas mais graves como a síndrome respiratória aguda até casos assintomáticos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou as gestantes como grupo de risco para a COVID-19 pois as alterações imunológicas as tornam mais vulneráveis para infecção do novo coronavírus. Estudos observaram baixo risco de infecção intrauterina por transmissão vertical do SARS-CoV-2, não sendo detectado o vírus em nenhum produto da concepção nos neonatos e lactentes. Alguns estudos mostraram a possibilidade de uma perda auditiva sensorioneural em relação ao COVID-19. O SARS-CoV-2 causa uma resposta inflamatória e aumento nas citocinas e a entrada direta na cóclea, levando ao estresse celular. A audição é considerada pré-requisito para a aquisição e desenvolvimento da linguagem oral, visto que é por meio da interação social que se detém a comunicação. No intuito de avaliar a integridade auditiva, o programa de Triagem Auditiva Neonatal Universal aplicado em todos os recém nascidos vivos, visando identificar e diagnosticar a deficiência auditiva e sua possível intervenção precoce. OBJETIVO: analisar as Emissões Otoacústicas Transientes (EOAT) e o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico com estímulo clique (PEATE) dos neonatos e lactentes que as mães foram infectadas pela COVID-19 durante a gestação. METODOLOGIA: trata-se de um estudo retrospectivo, documental e descritivo, realizado no Ambulatório de Audiologia, no período de fevereiro a novembro de 2021. Nos prontuários selecionados foram analisados: idade, gênero e indicadores de risco para a perda auditiva; o resultado das EOAT e do Reflexo Cócleo Palpebral (RCP); e o resultado do PEATE na pesquisa do neurodiagnóstico. Como critério de exclusão utilizamos os indicadores de risco para perda auditiva segundo o Joint Committee of Infant Hearing. A amostra foi composta por 40 prontuários dos neonatos e lactentes de ambos os gêneros cujo as mães foram infectadas pela COVID-19 durante a gestação, que realizaram EOAT e após o exame foram encaminhados para realizar o PEATE, onde somente 13 pacientes retornaram para realizar o exame. A pesquisa científica foi aprovada pelo Comitê de Ética. RESULTADOS: nas EOAT, 17 (42,5%) eram do gênero feminino e 23 (57,5%) eram no gênero masculino, a média de dias para realização do exame foi de 49 dias. Verificou-se que não houve diferença estatisticamente significante na comparação entre os gêneros. Passaram nas EOAT 39 (97,5%) neonatos e lactentes, o RCP esteve presente em todos os prontuários analisados. Em relação ao PEATE, todos os neonatos e lactentes apresentaram presença das ondas I, III e V no neurodiagnóstico (80 dBHL) e limiar eletrofisiológico da onda V com estímulo clique em 25 dBHL. Não existiu diferença estatisticamente significante entre as orelhas direita e esquerda para os valores de latências absolutas das ondas I, III e V e interpicos I-III, III-V e I-V. CONCLUSÃO: Não foram observadas alterações nas EOAT e no PEATE com estímulo clique, nos neonatos e lactentes avaliados, filhos de mães infectadas por COVID-19 durante a gestação.
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