PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL EM INDIVÍDUO COM GAGUEIRA ATENDIDO EM UMA CLÍNICA-ESCOLA
Aragao, J. A. ;
Almeida, R. P. ;
Introdução: A gagueira do desenvolvimento é um distúrbio metabólico hereditário, com graus variáveis de gravidade. A provável origem da gagueira transmitida geneticamente, é a inabilidade na atualização automática dos modelos internos, levando às consequências sensoriais de repetição ou bloqueio do movimento, impedindo a finalização da ordem motora gerada. O Processamento Auditivo Central (PAC) é utilizado para se referir à série de processos que fazem parte da detecção e reação aos sons, que envolvem predominantemente as estruturas do sistema nervoso central (SNC). As pessoas que gaguejam têm a área de linguagem do cérebro apresentando uma alteração de dominância hemisférica, compatível com o Transtorno no Processamento Auditivo Central (TPAC). Na literatura temos que indivíduos com gagueira apresentaram alteração nas habilidades auditivas, com destaque para os aspectos temporais da audição, evidenciando a participação das bases neurológicas nesse transtorno. Objetivo: Este relato de caso teve como objetivo, avaliar o Processamento Auditivo Central em indivíduo com gagueira que se encontra em terapia de linguagem. Metodologia: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, número: 3.773.841. É um estudo de caso descritivo, transversal, em um adulto, de 24 anos, sexo masculino, diagnosticado previamente pelo fonoaudiólogo com gagueira do desenvolvimento. A sua transcrição fonética apresentou um resultado de 33% de palavras gaguejadas, distribuídas em repetição (10%), prolongamento (2%), bloqueio (8%) e outras disfluências (tensão, 12%). Na entrevista inicial foram dadas explicações quanto ao projeto, os protocolos que seriam aplicados, e foi feita a apresentação e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. No segundo encontro foi realizada meatoscopia e a audiometria tonal, constatando limiares auditivos normais, bilaterais e logoaudiometria compatível. No terceiro encontro, foi realizada a avaliação do PAC, com os testes dicótico de dígitos (TDD), fala com ruído (FR), teste padrão de frequência (TPF) e random gap detection test (RGDT). Resultados: Os resultados alcançados neste estudo de caso, indicam alterações no desenvolvimento das habilidades auditivas de integração e separação binaural e de ordenação temporal, em função da impossibilidade da realização do teste de Padrão de Frequência (modalidade adulto, adequada para a sua faixa etária) pelo paciente com gagueira do desenvolvimento. Conclusão: O estudo foi condizente com a literatura, confirmando a hipótese de que o Processamento Auditivo Central se apresenta de forma alterada em indivíduos gagos. Há necessidade de replicação em população amostral significativa, correlacionando os achados dos testes do Processamento Auditivo Central com o grau de gravidade da gagueira e com a faixa etária dos indivíduos, para que assim os Fonoaudiólogos possam aprimorar os procedimentos e protocolos de tratamento da gagueira, proporcionando intervenções ainda mais eficientes e eficazes com a inclusão de treinamento auditivo em tais situações.
1.Pereira L. Avaliação do Processamento Auditivo Central. In: Filho OL. (Ed.) Novo tratado de fonoaudiologia. Barueri: Manole, 2013. p.179-195.
2.Andrade AN, Gil D, Schiefer AM, Pereira LD. Processamento auditivo em gagos: análise do desempenho das orelhas direita e esquerda. Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. 2008. Jan. v. 13, n.1.
3.Marconato E. Correlação entre o processamento auditivo temporal, duração das disfluências e gravidade da gagueira [Dissertação]. Marília: Universidade Estadual Paulista - Faculdade de Filosofia e Ciências; 2020.
4.Cerqueira AV. Perfil das habilidades auditivas de indivíduos com gagueira [Dissertação]. Marília: Universidade Estadual Paulista - Faculdade de Filosofia e Ciências; 2018.
5. Pereira L. Processamento auditivo central: abordagem passo a passo. In: Pereira LD. SCHOCHAT E. (Org.) Processamento auditivo central: manual de avaliação. São Paulo: Lovise; 1997. p.49-59.
DADOS DE PUBLICAÇÃO