PERCEPÇÃO DE SINTOMAS VOCAIS E DAS HABILIDADES AUDITIVAS EM CRIANÇAS COM DISFONIA COMPORTAMENTAL - ACHADOS PRELIMINARES
LEMOS, A. C. P. ;
CONSTANTINI, A. C. ;
TANAKA, T. N. ;
MAUNSELL, R. C. K. ;
AMARAL, M. I. R. ;
Introdução: Estudos apontam que pessoas com disfonia podem apresentar alteração no processamento auditivo central (PAC), com ênfase para as habilidades auditivas temporais. Tais habilidades possibilitam a decodificação de traços acústicos da fala importantes para a percepção de aspectos suprassegmentais do discurso e o automonitoramento vocal. Os questionários/checklists têm sido recomendados pelos guidelines como instrumentos de triagem, de fácil aplicação e baixo custo, que permitem compreender o comportamento auditivo das crianças e a impressão que os pais têm em relação à autopercepção dos filhos e auxiliam na detecção precoce do Transtorno do Processamento Auditivo (TPAC). Objetivo: Descrever o desempenho de crianças com disfonia comportamental entre os 6 e 10 anos no Questionário de Autopercepção do Processamento Auditivo Central (QAPAC) e no Questionário de Sintomas Vocais Pediátrico (QSV-P). Método: Estudo quantitativo, descritivo, prospectivo e de corte transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (#4.734.688). Os critérios de inclusão foram: falantes nativos do português, diagnóstico fonoaudiológico e otorrinolaringológico confirmado de disfonia comportamental sem processo de reabilitação iniciado, desempenho escolar adequado para a idade e ausência de histórico de otite. Os procedimentos aplicados foram: avaliação audiológica básica, avaliação fonoaudiológica da qualidade vocal por meio de autopercepção (Questionário de Sintomas Vocais Pediátrico – QSV-P na versão criança e versão parental), avaliação otorrinolaringológica dos aspectos laríngeos, e Questionário de autopercepção das habilidades auditivas (QAPAC) inserido na plataforma do programa de triagem das habilidades auditivas - Audbility – versão respondida pela criança e versão dos pais. No QSV-P, escores alterados (acima de 7,6 na versão autoavaliação e acima de 2,1 na versão parental) indicam maior frequência de sintomas vocais e, portanto, alteração vocal. No QAPAC, escores abaixo de 45 pontos indicam risco para o TPAC e necessidade de encaminhamento para avaliação diagnóstica. Resultados: Participaram 7 crianças, sendo 2 meninas e 5 meninos. Todos os participantes apresentaram escore alterado no QSVP, considerando tanto a autoavaliação (média 14,88+8,99) quanto a versão parental (11,57+10,97). A média do escore do QAPAC foi de 45,14+9,44 para a autoavaliação e 44,57+9,36 para a versão parental. Quatro das sete crianças (57,14%) foram classificadas como risco para ocorrência do TPAC em pelo menos uma versão do QAPAC. Dessas quatro crianças, duas obtiveram a pontuação abaixo do corte de risco em ambas as versões aplicadas- autoavaliação e pais, sendo que também foram os participantes com os maiores escores na autoavaliação pelo QSV-P. Conclusão: Comparando os desempenhos da amostra dos questionários estudados, foi possível observar risco do Transtorno do Processamento Auditivo (TPAC) em metade das crianças com alteração vocal. Na versão de autoavaliação, observou-se maior risco nas crianças com maior (pior) percepção de sintomas vocais.
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