O CONTEXTO DA COMUNICAÇÃO ENTRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE E IMIGRANTES NO PROGRAMA DE SAÚDE AUDITIVA DE SÃO PAULO – SP
Jamas, D. ;
Santos, N.M. ;
Castro, G.T. ;
Bruner, A.P. ;
Introdução: O processo de migração tem se intensificado nos últimos anos, devido à busca por melhores condições de vida. Em 2019, o número de imigrantes residentes no Brasil era de 1,198 milhões. Apesar dos princípios de atendimento integral e universal do Sistema Único de Saude – SUS, nem sempre o imigrante consegue um acesso ideal aos programas de prevenção e promoção de saúde, por dificuldades linguísticas, discriminação ou limitação de recursos. Procedimentos e orientações em saúde auditiva são de extrema importância e devem ser comunicados de forma clara aos familiares, a fim de prevenir, identificar e tratar precocemente crianças com perda auditiva e evitar prejuízos no monitoramento, quando necessário. Objetivo: Avaliar o contexto da comunicação entre profissionais de saúde do SUS e imigrantes atendidos em diferentes segmentos do Programa de Saúde Auditiva no município de São Paulo. Metodologia: Pesquisa transversal e prospectiva, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (nº 4.447.240). Foram realizadas entrevistas dirigidas on-line, aplicadas a profissionais de saúde que atuam em diferentes unidades do SUS no município de São Paulo. Resultados: Foram considerados para análise 72 de 108 questionários respondidos. A maioria dos profissionais são fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas. As nacionalidades de crianças e/ou familiares imigrantes apontadas como mais comuns foram Bolívia, Haiti, Venezuela e China. No que se refere às informações durante os atendimentos, a maioria dos entrevistados referiu que a compreensão de imigrantes costuma ser de razoável a difícil e consideram que existe comprometimento da qualidade devido à diferença de idiomas. Em relação à compreensão dos próprios profissionais de saúde sobre as informações dos pacientes, foi considerada predominantemente razoável ou fácil. Este dado pode ter relação com o número elevado de profissionais que referiram dominar uma segunda língua. Os desafios de comunicação podem prejudicar a informação sobre conteúdos técnicos e a criação de vínculos que facilitariam o atendimento. Recursos para auxiliar a comunicação foram referidos como importantes, porém, pouco utilizados. Conclusão: A pesquisa evidenciou comunicação insatisfatória entre profissionais de saúde do SUS e imigrantes no Município de São Paulo. Tecnologias de comunicação instantâneas e materiais impressos para reduzir barreiras comunicativas parecem ser pouco aplicados na prática clínica, mas poderiam ser facilitadores para a adesão das famílias ao Programa de Saúde Auditiva do SUS.
Palavras-chave: emigrantes e imigrantes, comunicação, barreiras de comunicação, audição, idioma
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http://csem.org.br/images/livros/caminhos/Relatorio_de_pesquisa_CSEM_Mulheres_migrantes.pdf. Acesso: 04 jun 2021.
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