PERDA AUDITIVA ASSOCIADA AO ENVELHECIMENTO E AMBIENTE DE TRABALHO
SANCHES, J. F. ;
GARRIDO, S. R. T. ;
MATOS, L. S. ;
SOARES, A. C. M. ;
LOPES, A. C. ;
No Brasil, estudos populacionais sobre audição ilustram com frequência a perda auditiva pelo envelhecimento (por ser configurada como uma das razões mais frequentes de deficiência auditiva adquirida), junto a causas relacionadas ao trabalho, morbidades associadas (otite média, diabetes, hipertensão, reumatismo, depressão) e o uso de medicamentos, como motivos desencadeantes da perda auditiva. Ainda assim, há um consenso, na atualidade, segundo o qual a perda auditiva pelo envelhecimento vem sendo considerada como um desfecho de etiologia multifatorial, sendo alguns fatores a socioacusia, fatores exógenos e endógenos, como ruído não-ocupacional e dieta inadequada; nosoacusia; drogas ototóxicas, inflamações e doenças sistêmicas. Dessa forma, estudos na área da audição relacionada ao envelhecimento e comorbidades torna-se relevante, possibilitando a intervenção precoce em pacientes com risco de perda auditiva. Objetivo: identificar as alterações na audição de idosos e associá-las as comorbidades, assim como ao ambiente de trabalho pregresso. Método: Estudo retrospectivo, com consulta ao banco de dados de um serviço público de saúde auditiva e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 46887421.1.0000.5417). Foram analisados dados demográficos, queixa/motivo da consulta, otoscopia, dados referentes ao diagnóstico audiológico, equilíbrio, condições de saúde geral, comorbidades como diabetes, a hipertensão arterial sistêmica, uso de medicamentos com grau de ototoxicidade, exposição à agentes insalubres no ambiente de trabalho, zumbido, bem como a procedência e encaminhamentos. A amostra foi composta por 120 prontuários, analisados em 2021. Resultados Parciais: os dados foram classificados por grupos de faixas etárias com e sem exposição ao ruído ocupacional. O G1 foi composto por 72 prontuários que apresentaram, na entrevista, risco químico ou físico no ambiente de trabalho, enquanto o G2, foi composto por 48 prontuários que não tiveram exposição a estes riscos no ambiente de trabalho. Os resultados da ATL foram analisados em relação ao tipo, grau, configuração e lateralidade da perda auditiva e classificados de acordo com a OMS, 2020. A associação das comorbidades, como diabetes, Hipertensão Arterial Sistêmica, uso de medicamentos com grau de ototoxicidade e presença de zumbido também foram analisadas entre os grupos. A análise parcial dos resultados evidenciou limiares auditivos mais comprometidos no G1, sendo as comorbidades mais presentes nestes pacientes a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), Diabetes mellitus (DM) e a presença de zumbido. Considerações finais: Embora com resultados parciais, este estudo permitiu ampliar as evidências na identificação precoce de alterações na saúde e qualidade de vida de idosos. Estas informações podem ser utilizadas nos programas de assistência na atenção primária à saúde (APS), possibilitando o diagnóstico precoce da perda auditiva.
CRUZ, M. S. et. al. Prevalência de deficiência auditiva referida e causas atribuídas: um estudo de base populacional. Cad.SaúdePública, Rio de Janeiro, p. 1124, mai. 2009. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/csp/2009.v25n5/1123-1131/pt. Acesso em: 2 mar. 2021.
Lopes A. C., Munhoz G. S., Bozza A. Audiometria Tonal Limiar e de Altas Frequências. In: Boéchat EM, Menezes PL, Couto CM, Frizzo ACF, Scharlach RC, Anastasio ART. Tratado de Audiologia. Rio de Janeiro: Santos; 2015. p. 57-67.
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