Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

OS ELEMENTOS MUSICAIS AVALIADOS NOS TESTES DE PERCEPÇÃO MUSICAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA: POR QUE PADRONIZAR OS TERMOS?
Simões, P.N. ; Lüders, D. ;

Introdução: Definições da música vão desde a arte de combinar sons, com características definidas, até a abordagem sócio histórica de um fenômeno cultural. O conceito de uma organização de sons com intenção de ser ouvida, entretanto, parece o mais adequado para fundamentar este trabalho, pois transmite a noção de que a música é produzida “para alguém” e, portanto, deveria ser acessível para todos, inclusive às pessoas com deficiência auditiva (DA). Contudo, apesar da possibilidade de amenizar os efeitos da perda auditiva com o uso de aparelhos de amplificação sonora individual ou de implantes cocleares, esses dispositivos não oferecem uma boa experiência musical, já que foram projetados, a priori, para a percepção e compreensão dos sons de fala. Ademais, o processamento da música envolve parâmetros complexos, que implicam numa gama de frequências, ritmos e timbres, próprios da produção musical.
Objetivo: Analisar os elementos musicais avaliados na testagem da percepção musical de pessoas com DA.
Metodologia: Dezesseis estudos observacionais, publicados entre 2002 e 2019, integraram uma revisão sistemática que examinou testes e protocolos para avaliação da percepção musical em pessoas com DA. Os dados referentes aos elementos musicais avaliados foram extraídos dos estudos que compararam os resultados de 804 deficientes auditivos com grupos controle de ouvintes normais.
Resultados: Pitch foi o elemento musical mais avaliado, seguido de ritmo, timbre, melodia e harmonia, cuja presença nos testes foi quase inexpressiva. Cada um dos elementos foi avaliado por meio de habilidades do processamento auditivos variadas, como detecção, percepção, reconhecimento, identificação e discriminação e houve, ainda, referência à discriminação de acordes, reconhecimento de canções, identificação de canções, discriminação de andamento, classificação de dissonância, classificação de emoção, escalas e memória incidental de melodias. Tais resultados apontam um abuso de linguagem tanto no que se refere à denominação dos parâmetros musicais quanto às habilidades auditivas avaliadas, com termos utilizados reiteradamente para mensurar um mesmo elemento ou no tratamento de termos que remetem a uma mesma ideia, mas que não são correspondentes entre si, como é o caso da falta de diferenciação entre fenômenos acústicos e efeitos estéticos da música. A denominação imprecisa dos termos nos testes pôde ser observada quando havia referência a canções ou a acordes num contexto em que o foco da avaliação era, objetivamente, a melodia e a harmonia. Ou, ainda, no caso da discriminação de instrumentos, cujo objetivo era a avaliação da percepção de timbre.
Conclusão: A heterogeneidade observada na denominação dos elementos musicais e das habilidades auditivas é uma circunstância que pode comprometer a construção de evidências na investigação da percepção musical de pessoas com DA. Ainda que pareça um preciosismo, e mesmo reconhecendo que a música é um estímulo desafiador, ressalta-se a importância da padronização dos termos nos testes e nos protocolos, a fim de garantir resultados consistentes para este público e promover discussões favoráveis a respeito da relação entre as pessoas com deficiência auditiva e o universo da música.

BROCKMEIER, S. J. et al. The music perception test: A novel battery for testing music perception of cochlear implant users. Cochlear Implants International, [s. l.], v. 12, n. 1, p. 10–20, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1179/146701010X12677899497236

GFELLER, Kate et al. Recognition of familiar melodies by adult cochlear implant recipients and normal-hearing adults. Cochlear Implants International, [s. l.], v. 3, n. 1, p. 29–53, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1179/cim.2002.3.1.29

SIMÕES, Pierangela Nota et al. Musical Perception Assessment of People With Hearing Impairment: A Systematic Review and Meta-Analysis. American Journal of Audiology, [s. l.], v. 30, n. 2, p. 458–473, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1044/2021_aja-20-00146

UYS, Marinda; VAN DIJK, Catherine. Development of a music perception test for adult hearing-aid users. The South African journal of communication disorders. Die Suid-Afrikaanse tydskrif vir Kommunikasieafwykings, [s. l.], v. 58, n. October, p. 19–47, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.4102/sajcd.v58i1.38

ZIMMER, Victoria et al. Harmony perception in prelingually deaf, juvenile cochlear implant users. Frontiers in Neuroscience, [s. l.], v. 13, n. MAY, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fnins.2019.00466
DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.459
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/459


ATENDIMENTO

INSCRIÇÕES
(51) 98033-2025
atendimento@tribecaeventos.com.br
PROGRAMAÇÃO
(51) 99702-1511
cientifico@tribecaeventos.com.br
SEJA UM PATROCINADOR
(51) 98338-0908
comercial@tribecaeventos.com.br
Desenvolvido por Dinamk Websolutions  
Quero me inscrever