AVALIAÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL EM CRIANÇAS FORA DE TRATAMENTO DE RETINOBLASTOMA TRATADAS COM CARBOPLATINA
Rodrigues, G. B. ;
Gil, D. ;
Macedo, C. R. P. D. ;
Introdução: O retinoblastoma – tumor maligno intraocular da retina, apesar de considerado o mais comum dentre os cânceres na infância, consiste em uma doença relativamente rara, afetando aproximadamente um em cada 16.000 a 18.000 nascidos vivos da população global. O tratamento medicamentoso contra tumores é potencialmente prejudicial aos sistemas auditivo e vestibular, devido à ototoxicidade dos fármacos utilizados, em sua maioria, derivados da platina – cisplatina e carboplatina. Esses têm como consequência, não só a morte de células ciliadas da cóclea, atingindo a princípio sua base, mas também grande potencial de acometimento da porção central da audição. Assim, devido à possibilidade das estruturas da via de audição estarem alteradas, a avaliação do processamento auditivo central pode ser indicada. Objetivo: Caracterizar a avaliação comportamental do processamento auditivo central em crianças e adolescentes fora de tratamento de retinoblastoma tratadas com a carboplatina. Método: Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número de protocolo 2.822.769, e pelo Comitê Científico do IOP/Graacc sob o número de protocolo EXT-005/2019. Avaliou-se dez crianças de 5 anos a 18 anos que passaram pelo tratamento de retinoblastoma há pelo menos dois anos. Os pacientes foram submetidos à avaliação comportamental do processamento auditivo central, constituída pelos testes: Teste de Localização Sonora, Teste de Memória Sequencial para Sons Verbais, Teste de Memória Sequencial para Sons Não Verbais, Teste de Fala com Ruído Branco, Teste Dicótico de Dígitos, Teste de Identificação de Sentenças Sintéticas (Mensagem Competitiva Ipsilateral), Teste de Padrão de Duração, Teste Dicótico Consoante-Vogal (Atenção Livre) e Teste de Identificação de Intervalos Aleatórios. Resultados: Observou-se na amostra, com a análise estatística, idade média de 10,53 anos, média da idade de diagnóstico de 1,57 anos, duração do tratamento de 8,8 meses e o tempo de remissão de 7,59 anos. Na avaliação comportamental do processamento auditivo central, alguns testes mostraram-se alterados na maioria dos indivíduos, por exemplo, o teste de memória sequencial de sons não verbais com 4 sons, o dicótico de dígitos, o consoante-vogal e o RGDT, todos com 50% ou mais de alteração nas avaliações realizadas. Quanto aos processos gnósicos alterados, 90% apresentou alteração de decodificação, 60% de organização, 50% de codificação e 40% de não verbal. Conclusão: Crianças e adolescentes tratados de retinoblastoma com carboplatina apresentam Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC). O TPAC envolve prioritariamente a dificuldade na análise e síntese auditivas, nos aspectos suprassegmentares da fala e na organização dos eventos sonoros no tempo.
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