REABILITAÇÃO VESTIBULAR EM IDOSOS COM DISFUNÇÃO VESTIBULAR: ESTUDO RETROSPECTIVO
Lopes, C. M. ;
Branco-Barreiro, F.C.A ;
Introdução: A manutenção do equilíbrio corporal se dá a partir da integração das informações sensoriais advindas dos sistemas vestibular, visual e somatossensorial. Caso haja um conflito entre essas informações, este poderá impactar no equilíbrio do indivíduo. O envelhecimento afeta o funcionamento desses sistemas sensoriais, bem como o processamento das informações sensoriais pelo sistema nervoso central, contribuindo para o desequilíbrio corporal no idoso. A prevalência da disfunção vestibular aumenta com a idade, podendo resultar em quedas, medo de cair, perda da confiança no equilíbrio corporal, ansiedade e depressão. A reabilitação vestibular é um recurso terapêutico que consiste em um programa de exercícios baseados nos mecanismos centrais de compensação vestibular: adaptação vestibular, substituição e habituação. Por meio da realização de exercícios envolvendo olhos, cabeça e corpo, visa promover e acelerar o processo de compensação vestibular, melhorando o equilíbrio corporal. Considerando a alta prevalência de tontura e quedas em adultos de meia idade e idosos, destaca-se a importância do estudo da reabilitação vestibular como uma ferramenta terapêutica para intervenção das disfunções vestibulares. Objetivo: Avaliar o efeito da reabilitação vestibular sobre o equilíbrio corporal, o risco de queda e a qualidade de vida em adultos de meia idade e idosos com disfunção vestibular. Metodologia: O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Estudo retrospectivo descritivo longitudinal. Foi utilizado o banco de dados de um ambulatório de avaliação e reabilitação vestibular do hospital escola de uma universidade pública. Neste, a RV é realizada semanalmente, em oito a 10 sessões presenciais com duração de 45 minutos a uma hora. Foram extraídos os resultados da avaliação pré e pós reabilitação vestibular constituída pelos testes Timed Up and Go (TUG), Teste de Sentar e Levantar, Teste de Alcance Funcional Anterior (TAF), Índice de Marcha Dinâmica (Dynamic Gait Index-DGI), Escala Visual Analógica e Questionário de Handicap da Tontura (Dizziness Handicap Inventory-DHI). de indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos, diagnóstico clínico de tontura crônica decorrente de distúrbio vestibular, submetidos à RV nos últimos dois anos. Resultados: Foram encontrados os resultados de 45 indivíduos, que atendiam aos critérios de inclusão. No entanto, apenas 16 possuíam avaliação pré e pós-intervenção. Destes, 11 (68,75%) eram mulheres e 5 (31,25%) homens, com média de idade de 63,8 anos, sendo a mínima de 52 e a máxima de 79 anos. Houve diferença significativa entre os momentos pré e pós-reabilitação vestibular para todos os instrumentos utilizados na avaliação, com exceção do TAF e da DGI. Conclusão: Houve melhora significante do equilíbrio corporal, redução do risco de queda e diminuição do impacto da tontura na qualidade de vida de adultos de meia idade e idosos com disfunção vestibular após a reabilitação vestibular.
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