PADRONIZAÇÃO DO TESTE COLT (CLICK ORDERING LATERALIZATION TEST): TESTE-RETESTE
Ferreira, G. D. ;
Schochat, E. ;
Introdução: O Sistema Nervoso Auditivo Central (SNAC) é responsável por diversos fenômenos comportamentais e, dentre eles, a localização e lateralização sonora. Estas habilidades são essenciais para orientação no meio e para reagir rapidamente aos estímulos, de forma a focalizar em sons importantes e discriminá-los do ruído ambiente. Com isso, faz-se necessário um instrumento que avalie de forma mais eficiente a localização sonora, excluindo o componente linguístico, o qual está sujeito à capacidade cognitiva e escolaridade do indivíduo a ser avaliado. Partindo disto, Musiek e Schochat desenvolveram o Teste COLT (Click Ordering Lateralization Test), com o objetivo de verificar o limiar, em milissegundos, necessário para que o SNAC seja capaz de realizar a localização sonora. O Teste COLT é composto por quatro listas, com 54 itens e 9 intervalos de separação (0, 60, 90, 120, 150, 170, 190, 210 e 230 milissegundos) para apresentação dos estímulos em cada orelha. Os estímulos consistem em tone bursts, apresentados a uma intensidade de 50dBNS, e o sujeito avaliado deve referir a orelha na qual escutou primeiro o estímulo. Objetivo: Determinar a confiabilidade, por meio do teste-reteste, em adultos normo ouvintes, para o COLT. Método: Estudo descritivo, transversal e observacional, aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa, sob o parecer n° 34394820.7.0000.0068. Participaram desta pesquisa 62 voluntários, de ambos os sexos, entre 18 e 40 anos de idade. Foram incluídos 58 sujeitos sem queixas auditivas e que não apresentaram alterações na avaliação audiológica básica e no Teste Dicótico de Dígitos, que foi o teste utilizado para verificar a normalidade do Processamento Auditivo (PA). Assim, os participantes foram submetidos a duas faixas do COLT (faixas 1 e 2), e divididos igual e randomicamente em dois grupos: Grupo A (início pela OD/faixa 1) e Grupo B (início pela OE/faixa 2). O COLT foi previamente explicado e demonstrado através da faixa-treino, e de 20 a 40 dias após a primeira aplicação, os sujeitos retornaram ao serviço para reteste. A análise estatística foi realizada por meio do teste não paramétrico de Mann-Whitney, com nível de significância de 5%. Resultados: Na comparação entre o teste e reteste das faixas do COLT, não houve diferenças estatisticamente significativas (faixa 1: p=0,653; faixa 2: p=0,186). Na análise entre os grupos A e B, considerando o desempenho nas faixas 1 e 2, tanto no teste como no reteste, da mesma forma não foram observadas diferenças (faixa 1: p=0,610, teste e p=0,722, reteste; faixa 2: p=0,162, teste e p=0,087, reteste). Por fim, na comparação entre os sexos houve diferença entre o teste da faixa 1 (p=0,044) e reteste da faixa 2 (p=0,043), nas duas com melhor desempenho dos homens. Conclusão: Não houve diferença estatisticamente significativa entre o teste e o reteste, indicando que o Teste COLT é confiável e pode ser integrado à bateria de testes comportamentais que avaliam o PA. Assim, o próximo passo é realizar pesquisas com o teste na população pediátrica, dividida em faixas etárias, e em indivíduos com Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC).
1. BARAN, J. A.; MUSIEK, Frank E. Avaliação Comportamental do Sistema Nervoso Auditivo Central. In: Perspectivas atuais em avaliação auditiva. [s.l.: s.n.], 2001.
2. FERREIRA, Geise Corrêa; COSTA, Maristela Julio. Variabilidade do teste dicótico de sentenças no teste e reteste de adultos normo-ouvintes. CoDAS, v. 32, n. 3, 2020.
3. KAPLAN, Harriet; GLADSTONE, Vic; LLOYD, Lyle L. Audiometric Interpretation: A Manual of Basic Audiometry. [s.l.]: Allyn & Bacon, 1978.
4. PEREIRA, Liliane Desgualdo; SCHOCHAT, Eliane. Processamento auditivo central: manual de avaliação. São Paulo: [s.n.], 1997.
5. SANTOS, F. M. C.; PEREIRA, L. D. Escuta com dígitos. In: Pereira LD, Schochat E. Processamento auditivo central: manual de avaliação. Lovise, São Paulo, p. 147-150, 1997.
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