Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

QUEIXAS AUDITIVAS EM MÚSICOS DE ORQUESTRA SINFÔNICA
Souza, N. A. ; Burle, N. L. O. ; Garcia, V. S. ; Mancini, P. C. ;

Introdução: O desenvolvimento de patologias que acometem o sistema auditivo é uma característica comum entre músicos de orquestras sinfônicas, uma vez que esses estão constantemente expostos a fatores que podem causar prejuízos à audição, como, por exemplo, filhos de elevada amplitude, ensaios em espaços acusticamente inapropriados e extensas jornadas de trabalho. Objetivo: Verificar a relação entre a presença de queixas auditivas e as características da amostra. Método: Questionário autoaplicado em músicos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Para efeito de comparação, foram considerados aqueles que se distanciaram da média em mais de um desvio padrão. Os grupos foram comparados entre si por meio do teste do qui-quadrado, com nível de significância de 95% (p <0,05). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa, processo número 48120915.3.0000.5149. Resultados: A amostra foi composta por 53 músicos, sendo 36 homens e 17 mulheres. Na comparação entre sexos, a prevalência de queixas auditivas foi 3,58 vezes mais comum no sexo feminino (p <0,05), com destaque para a faixa etária de 30-39 anos, na qual as queixas foram 9,65 vezes maiores nesse sexo (p <0,05). As queixas de hiperacusia e plenitude auricular foram 4,7 vezes mais comuns entre mulheres (p <0,05) e a de hipoacusia, 13 vezes mais comum (p <0,05). Músicos que descrevem suas atividades de prática instrumental com até sete anos de idade, uma frequência de queixas auditivas, 2,88 vezes maior quando comparados àqueles que iniciaram com 18 anos ou mais (p <0,05). Entre os músicos que trabalham 45 horas ou mais por semana, o número de queixas auditivas foi 5,05 vezes maior quando comparados àqueles que trabalham 14 horas ou menos (p <0,05). Após comparar as queixas auditivas quanto ao número de anos de estudo / trabalho com música erudita, a amostra do presente estudo não apresentou relação entre as duas variáveis, pois a correlação não apresentou diferenças significativas O número de queixas apresentadas teve relação direta com o tempo semanal de exposição sonora nas duas comparações. O primeiro, realizado expondo os participantes a frequências extremas, apresentou diferença mais significativa no número de alterações auditivas do que aquele que considerou todos os participantes. Conclusões: A presença de queixas auditivas entre músicos foi muito mais comum entre mulheres. Quanto à estratificação etária, não foram encontradas diferenças para o número de pacientes queixosos. A precocidade no início das atividades musicais, e um maior tempo de exposição sonora durante uma semana, terá relação direta com uma maior prevalência de queixas auditivas.

1. Ministério da Saúde. Perda auditiva induzida por ruído (PAIR). Acessado em 14/06/2016. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_perda_auditiva.pdf >.
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DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.479
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/479


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