A AUDIÇÃO DE DISK JOCKEYS: UM ESTUDO DOS SINAIS E SINTOMAS AUDITIVOS E DOS HÁBITOS DE EXPOSIÇÃO A NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA ELEVADOS
Ramos, L. ;
Scharlach, R.C. ;
Introdução: Estima-se que mais de 1 bilhão de jovens (12 a 35 anos de idade) do mundo, corram o risco de sofrer perda auditiva devido a exposição voluntária a níveis de pressão sonora elevada. Segundo a OMS um quarto da população mundial terá alguma perda auditiva até 2050, sendo que 60% dessas poderiam ter sido evitadas. Diversas categorias profissionais são expostas no ambiente de trabalho a níveis de pressão sonora elevados, dentre eles destaca-se o Disk Jockey (DJ). A profissão dos DJs iniciou por volta de 1970 nas discotecas e hoje estes profissionais são responsáveis por levar alegria e diversão por meio da música para o público. Com o crescimento da profissão eles têm estado bastante susceptíveis a desenvolver alterações auditivas devido à exposição frequente, constante a níveis de pressão sonora elevados. Objetivo: Investigar as queixas auditivas e hábitos de exposição a níveis de pressão sonora elevados em DJs. Metodologia: Estudo observacional, descritivo, transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (nº: 4.859.179 / CAAE: 48298621.8.0000.0121), realizado com DJs de uma capital da região sul do Brasil, com atividade na área há pelo menos dois anos. A amostra foi do tipo não probabilística, utilizando-se a técnica de amostragem por conveniência. Foram constituídos dois grupos (estudo e controle) pareados por sexo e faixa etária, cada grupo composto por 15 adultos, com média etária de 26 anos. Aplicou-se um questionário desenvolvido pelos pesquisadores com 53 questões sobre queixas auditivas, extra auditivas e hábitos de exposição a níveis de pressão sonora elevados. Os dados coletados foram tabulados em planilha do excel e submetidos a uma análise estatística descritiva. Resultados: Os sintomas auditivos mais frequentes no grupo estudo em comparação ao grupo controle foram: zumbido (13%), plenitude aural (13%), tontura (13%) e dificuldade para ouvir televisão (26%). Dentre os sintomas extra auditivos estão: ansiedade (94%), dificuldade de concentração (73%) e cansaço (60%). Após as performances, os sintomas auditivos mais frequentes foram: diminuição da audição (80%), zumbido (60%) e desconforto a sons intensos (60%). O tempo de profissão foi de seis anos ou mais para 79% dos DJs. Muitos realizam mais de uma performance por noite, sendo que 71,42% dos DJs relataram que continuam expostos a sons elevados durante os intervalos; 86% raramente ou nunca utilizaram protetor auricular durante as performances. A maior parte dos DJs (93%) relataram que o ambiente de trabalho é prejudicial à audição, mas apenas 53% já realizaram audiometria. Apesar de 87% dos profissionais relatarem que a intensidade do som durante a performance é forte ou muito forte, apenas 20% têm o conhecimento sobre a qual intensidade ficam expostos e 80% não sabem qual o mínimo de pressão sonora prejudicial ao sistema auditivo. Conclusão: Os DJs desse estudo apresentam hábitos de exposição a níveis de pressão sonora elevados inadequados. Apesar de terem conhecimento sobre os efeitos nocivos do ruído, desconhecem os níveis sonoros prejudiciais e não fazem uso de medidas protetivas. Os sintomas auditivos mais frequentes após as performances foram sensação de diminuição da audição, zumbido e desconforto a sons intensos.
1-Nações Unidas. Mais de 1 bilhão de jovens correm risco de perda auditiva devido à exposição a sons altos. [cited 2021 Sep 03]; [about 3 screens]. Available from: https://news.un.org/pt/story/2019/02/1659581
2-Nações Unidas do Brasil. OMS: 2,5 bilhões de pessoas podem sofrer algum tipo de perda auditiva em 2050 [cited 2021 Sep 03]; [about 1 screen] Available from: https://brasil.un.org/pt-br/114345-oms-25-bilhoes-de-pessoas-podem-sofrer-algum-tipo-de-perda-auditiva-em-2050
3-Macedo EMB, Andrade WTL de. Queixas auditivas de disc jockeys da cidade de Recife. Rev CEFAC 2010;13(3):452–9. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462011000300008&lng=pt&tlng=pt . doi.org/10.1590/S1516-18462010005000120
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