ANÁLISE DO FREQUENCY FOLLOWING RESPONSE COM ESTÍMULO DE FALA NO DESENVOLVIMENTO DA VIA AUDITIVA DE BEBÊS COM SÍFILIS CONGÊNITA: DADOS PRELIMINARES
Santos, A. B. ;
Lemos, F. A. ;
Escera, C. ;
Balen, S. A. ;
Introdução: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível que pode causar abortamento, prematuridade, manifestações congênitas e/ou morte do recém-nascido, além da perda auditiva sensorioneural. Objetivo: Analisar o desenvolvimento da via auditiva utilizando o Frequency Following Response (FFR) com estímulo de fala /da/ em bebês com sífilis congênita tratada. Metodologia: Estudo tipo coorte longitudinal, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Instituição (n.3.360.661). Todos os responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Selecionou-se 12 sujeitos nascidos nas maternidades públicas do município de Natal, sem outros indicadores de risco para a deficiência auditiva (IRDA), idade gestacional igual ou maior a 32 semanas. Excluídos os bebês cuja mãe relatou uso de álcool e drogas durante a gestação. Bebês divididos em: Grupo controle (Gc) com seis bebês sem IRDA, Grupo exposto a sífilis (Gexp) com dois bebês, e Grupo sífilis congênita (Gsc) com quatro bebês. Utilizou-se o Veneral Diseases Research Laboratory para detectar a titulagem da sífilis na mãe e no bebê. Com os pacientes dormindo no colo de suas mães realizou-se as emissões otoacústicas transientes (EOAt) e o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE). Tiveram presença das EOAt e das ondas I, III e V com latência e intervalos interpicos dentro do esperado no PEATE com clique em 80dBnNA, com presença da onda V em 30dBnNA. FFR realizado com o estímulo de fala /da/. Estímulo apresentado em quatro promediações de 1.000 sweeps, totalizando 4.000, numa janela de -40 a 270.27 ms. Polaridade alternada em 80dBnNA na orelha direita com fones de ouvido intra-aurais 3A. Dados coletados no equipamento Intelligent Hearing Systems. Estímulo sintetizado a uma frequência fundamental de 100 Hz, duração de 170 ms, velocidade de 3,70/s, com os primeiros 10 ms de onset, 47 ms da transição consoante-vogal e 113 ms de sustentação da vogal. Nas aquisições, o número de artefatos foi controlado (abaixo de 10%). Para filtragem das ondas, aplicou-se um filtro passa-banda online de 30-3000 Hz. Na análise dos dados, somou-se as ondas registradas na orelha avaliada, depois, aplicou-se um filtro passa-banda espectral de 70-1500 Hz. A partir destas etapas o registro neural foi salvo e executada a análise no script do Matlab. Parâmetros analisados no domínio do tempo: correlação cruzada entre estímulo e resposta, neural lag, relação sinal-ruído, pitch error e pitch strength; já no domínio da frequência foram a amplitude da frequência fundamental e seus harmônicos numa janela fixa de tempo. Utilizou-se o teste Kruskal Wallis e Wilcoxon sendo adotado o nível de significância de 5%. Resultados: Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas no domínio do tempo e da frequência, entre os Gc, Gexp e Gsc. Porém, houve diferença no T1 e T2 do Gc na amplitude espectral da F0 e na média dos harmônicos da vogal. Conclusão: Bebês expostos à sífilis e com sífilis congênita não demonstraram diferentes respostas dos bebês do Gc, exceto na análise do domínio da frequência, evidenciando que pode haver um percurso diferente no desenvolvimento. Dados que necessitam de confirmação com a ampliação da amostra do estudo.
BRASIL. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST).Ministério da Saúde.p.248, 2019.
JCIH. Year 2019 Position Statement : Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs. The Journal of Early Hearing Detection and Intervention, v. 4, n. 2, p. 1–44, 2019.
RIBAS-PRATS, T. et al. The frequency-following response (FFR) to speech stimuli: A normative dataset in healthy newborns. Hearing Research, v. 371, p. 28–39, 2019.
DADOS DE PUBLICAÇÃO