Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

RESULTADOS DA TIRAGEM AUDITIVA NEONATAL EM INDIVÍDUOS COM SÍFILIS CONGÊNITA
CHIRIBOGA, L.F. ; SIDERI, K.P. ;

Introdução: A sífilis é uma doença sistêmica, de evolução crônica e muitas vezes assintomática que pode ser transmitida por via materno-fetal, sendo denominada de sífilis congênita. Apesar de já ter sido quase erradicada, houve um aumento expressivo da sua incidência nos últimos anos. Em 2018, no Brasil, a taxa de detecção de sífilis em gestantes foi de 21,4/1.000 nascidos vivos e a incidência de sífilis congênita foi de 9,0/1.000 nascidos vivos. Dentre suas consequências, a exposição a sífilis no período neonatal pode afetar a orelha interna, resultando em perda auditiva e, por isso, é considerada um Indicador de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA). Desta forma, o procedimento de escolha para a TANU deve ser o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico Automático (PEATE-a) e os neonatos devem ser monitorados. Objetivo: Analisar os resultados da TANU de neonatos expostos a sífilis gestacional e as condutas tomadas. Método: Este estudo é uma análise documental de janeiro a junho de 2021 de um hospital que possui serviço de TANU. Foram selecionados todos os neonatos que foram expostos a sífilis durante o período gestacional e apresentaram o exame de sangue reagente para a sífilis. Foi realizada a análise dos resultados da TANU e condutas fornecidas a estas famílias. O estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 3.923.866/2020. Resultados: Dos 4491 neonatos triados neste período, 385 tinham algum IRDA. Destes, 64 tinham a sífilis como um dos indicadores de risco e foram triados com Emissões Otoacústicas Transientes (EOAT) e PEATE-a. Destes, 59 passaram em ambos os testes, 2 falharam nas EOAT mas passaram no PEATE-a, 1 teve EOAT presentes em ambas as orelhas mas PEATE-a ausentes, 1 teve EOAT e PEATE-a ausentes em ambas as orelhas e 1 teve PEATE-a ausente em orelha direita. Os 61 neonatos que tiveram EOAT e PEATE-a ou PEATE-a presentes em ambas as orelhas foram orientados e encaminhados para monitoramento auditivo. Os outros foram encaminhados para retorno e todos apresentaram PEATE-a presente pós alta, também sendo encaminhados para o monitoramento auditivo. Dos bebês que retornaram para o monitoramento auditivo, todos estavam desenvolvendo as habilidades auditivas de acordo com o esperado. Conclusão: Por meio desse levantamento foi possível observar que, apesar da sífilis ser considerada um IRDA, os neonatos tiveram o resultado “passa” na TANU e desenvolvimento adequado das habilidades auditivas no monitoramento auditivo. Sabe-se que o monitoramento auditivo é de extrema relevância, já que a sífilis pode causar alterações progressivas e/ou tardias. No entanto, em nossa pesquisa, observamos que a sífilis não ocasionou perda auditiva. Tal dado vai de encontro com a nova proposta de fluxo de triagem auditiva que está sendo desenvolvida pelo Comitê Multiprofissional de Saúde Auditiva, em que os neonatos com sífilis não precisarão mais ser submetidos ao PEATE-a, exceto se tiveram a necessidade de ficar em UTI, mas deverão continuar sendo monitorados.

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas e Departamento de Atenção Especializada. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012;
2. JOINT COMMITTEE ON INFANT HEARING (US JCIH). Year 2019 position statement: principles and guidelines for early hearing detection and intervention programs. The Journal of Early Hearing Detection and Intervention 2019; 4 (2).
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Sífilis [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado em 2020 Out 13]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2019/boletim-epidemiologico-sifilis-2019
» http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2019/boletim-epidemiologico-sifilis-2019
4. Besen,E; Moreira E; Gonçalves,LF; Paiva,KM; Haas, P. SÍFILIS CONGÊNITA ASSOCIADA À PERDA AUDITIVA NEONATAL: REVISÃO SISTEMÁTICA. Arq. Catarin. Med. 2020 out-dez; 49(4):107-120
DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.488
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/488


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