Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

COMPREENDENDO AS PRÁTICAS DOCENTES NA EDUCAÇÃO DO SURDO NO ENSINO SUPERIOR
Menezes, A. K. G. ; Lima, A. C. F. ; Martins, D. C. L. ; Serrano, M. C. M. ; Camarano, M. R. H. ;

A educação dos surdos iniciou-se no Brasil em 1857, a pedido do Imperador D. Pedro II para o professor surdo Eduard Huet. Com o passar dos anos, a necessidade de inclusão desse grupo no ensino superior ainda continua sendo um tema para debate. Nesse contexto, percebe-se a importância de compreender o papel do docente em sala de aula e as estratégias utilizadas por ele para contribuir com a formação da pessoa surda. O objetivo desse estudo foi compreender as práticas docentes para a educação do surdo no ensino superior. Trata-se de um estudo transversal e de caráter quantitativo. A pesquisa foi encaminhada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o número 2.578.335. Utilizou-se como amostra o corpo docente que ministrava aula a estudantes surdos, em que os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foi elaborado um questionário contendo 17 perguntas para nortear a entrevista com os profissionais que ministravam aulas para os alunos surdos. O questionário foi aplicado remotamente via Google Forms, por meio do e-mail, e também mediante entrevista presencial, de acordo com a disponibilidade de cada docente. O programa Microsoft Excel, versão 2007, foi usado para tabulação dos dados e a análise estatística foi realizada pelo programa SPSS for Windows, versão 22,0. Como resultados, participaram 51 professores, dos quais 31 deles eram docentes de surdos oralizados e 20, de surdos inseridos na Libras. Com relação aos dados coletados, a maioria dos docentes (57,1%) necessitavam de um intérprete de Libras para se comunicar com os seus alunos. Quando questionados sobre a necessidade do docente aprender a língua em questão, a maioria respondeu afirmativamente. Além disso, no que tange o rendimento acadêmico do aluno surdo, as informações colhidas estiveram entre um desempenho médio e bom. A maneira como os professores se comunicam com os estudantes surdos inseridos na Libras majoritariamente se dava por meio do intérprete de LIBRAS, em segundo lugar, eles apontaram a escrita como recurso de comunicação. Já os docentes de surdos oralizados afirmaram se comunicar principalmente por leitura orofacial e fala, também alegando a escrita como ferramenta secundária. Por fim, a maioria das adaptações pedagógicas oferecidas pelos professores de alunos surdos oralizados foram: facilitação da leitura orofacial, disponibilização com antecedência dos materiais utilizados na aula, oferecimento de reforço extra nas explicações e a utilização de recursos visuais. Por sua vez, os professores de alunos inseridos na Libras enfatizaram a importância do intérprete de Libras na sala de aula, além da disponibilização de materiais com antecedência, de reforço nas explicações e de recursos visuais. Conclui-se que para a formação qualificada de profissionais surdos encontra-se na capacitação dos docentes que terão contato com esse grupo. Esse estudo traz à luz estratégias utilizadas pelos profissionais que ministraram aulas para surdos, aborda a necessidade do desenvolvimento de práticas pedagógicas destinadas aos discentes surdos e abre espaço para que novos estudos sejam dirigidos, além de dar base a possíveis programas de capacitação para docentes.

BRUNO M. Políticas afirmativas para a inclusão do surdo no ensino superior: algumas reflexões sobre o acesso, a permanência e a cultura universitária. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 92, n. 232, 2011.

SANTANA AP. A inclusão do surdo no ensino superior no Brasil. Journal of Research in Special Educational Needs, v. 16, p. 85-88, 2016.

RODRIGUES L. Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. 2017. Disponível em: https://institutoitard.com.br/desafios-para-a-formacao-educacional-de-surdos-no-brasil/. Acesso em: 15 jan. 2020.

DAROQUE SC. Alunos surdos no ensino superior: uma discussão necessária. [Dissertação de Mestrado]. Piracicaba: UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA. 2011

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Brasília, DF. Disponível em: . Acesso em: 8 janeiro 2020.
DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.491
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/491


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