INTERCORRÊNCIAS GESTACIONAIS ORIUNDAS DE INTOXICAÇÕES POR AGROTÓXICOS – REVISÃO INTEGRATIVA
Cassol, K. ;
Magni, C. ;
Sanches, J.F. ;
Lopes, A. C. ;
Introdução: O agronegócio tem se expandido de maneira acelerada na atualidade, concomitante ao alto consumo de agrotóxicos, e por consequência causam intoxicações humanas, que podem acarretar importantes alterações na saúde da população exposta, desencadeando efeitos agudos e crônicos. Em mulheres gestantes, a exposição direta ou indireta a esses produtos pode causar complicações e intercorrências na gestação, a citar a prematuridade, baixo peso ao nascer, malformações congênitas, que são considerados fatores de risco para a mortalidade infantil, além de outros efeitos teratogênicos, ainda em investigação. Atualmente, ainda é carente estudos sobre o assunto, e o levantamento das evidências científicas com síntese dos resultados das pesquisas publicadas em nível mundial, pode auxiliar a melhor direcionar as políticas públicas destinadas a essa população. Objetivo: Identificar na literatura os efeitos das intoxicações por agrotóxicos na gestação. Metodologia: A pergunta norteadora que conduziu essa revisão foi: “a exposição de gestantes a produtos agrotóxicos pode gerar alguma intercorrência?”. Foi realizado a consulta aos bancos de dados do Portal de Periódicos da Capes, PubMed e Lilacs, utilizando os descritores: “Gestação AND Agrotóxicos AND Intoxicação”, entre os meses de novembro e dezembro de 2021. Os artigos selecionados foram organizados em ordem cronológica, revisados integralmente, de modo independente por dois pesquisadores, comparando resultados e solucionando discordâncias. Resultados: Os oito artigos incluídos nesta revisão contemplam um período de 43 anos, entre 1974 a 2017. Entre eles, cinco foram relatos de casos de mães intoxicadas com produtos agrotóxicos, e suas alterações imediatas ou tardias; dois estudos analisaram a presença de resíduos agrotóxicos no cordão umbilical e no leite materno, e outro trata-se de um estudo epidemiológico. Dentre os relatos de caso, apenas um realizou acompanhamento da criança até 5 anos de idade, não identificando nenhuma ocorrência, no entanto, dois deles apontaram para resultados negativos após a exposição, com ocorrência de feto morto, e complicações no nascimento; os níveis de substância agrotóxicas presentes na placenta e cordão umbilical era de 4-6 maiores que no sangue materno. O mesmo se comprovou no estudo que analisou a presença dos produtos tóxicos no leite materno, indicando a intoxicação em todas as mulheres expostas analisadas. No estudo longitudinal analisado, os recém-nascidos expostos apresentaram defeitos congênitos, baixo peso, e prematuridade, com maior frequência de óbitos perinatais. Os achados nessa revisão confirmam o apontado pela literatura mundial, acerca dos efeitos deletérios da exposição materna-infantil aos agrotóxicos. Conclusão: A maioria dos estudos aborda relatos e descrições de casos de intoxicações agudas. Nenhum estudo realizado com humanos apresentou dados longitudinais completos, sobre mães expostas frequentemente a agrotóxicos e o desenvolvimento de seus filhos, tanto no que tange às alterações neuropsicológicas, quanto fisiológicas do organismo, evidenciando a carência de estudos desta natureza. Esta revisão de literatura, apresentou evidências científicas sobre as relações entre exposição aos agrotóxicos na saúde da gestante, e ressaltou a carência de estudos em seres humanos sobre as possíveis intercorrências gestacionais originadas da exposição a produtos agrotóxicos.
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2. Suzuki M, Murai N. Fetal diseases caused by environmental polltuion. Sanfujinka no jissai. Practice of gynecology and obstetrics. 1971; 20(10), 951.
3. Garry VF, Harkins M, Lyubimov A, Erickson L, Long L. Resultados reprodutivos nas mulheres do vale do rio vermelho do norte. I. As esposas dos aplicadores de pesticidas: perda de gravidez, idade na menarquia e exposições a pesticidas, Journal of Toxicology and Health Environmental. 2002; Part A, 65:11, 769-786, DOI: 10.1080 / 00984100290071333
4. Dutra LS, Ferreira AP. Associação entre malformações congênitas e a utilização de agrotóxicos em monoculturas no Paraná, Brasil. Saúde debate [Internet]. 2017 June; 41( spe2 ): 241-253. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-11042017000600241&lng=en. https://doi.org/10.1590/0103-11042017s220
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