Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

POTENCIAL EVOCADO AUDITIVO DE LONGA LATÊNCIA EM INDIVÍDUOS NORMO-OUVINTES EXPOSTOS AO RUÍDO OCUPACIONAL
Santos, N.O. ; Rocha, C.H. ; Kamita, M.K. ; Moreira, R.R. ; Neves-Lobo, I.F. ; Samelli, A.G. ; Matas, C.G. ;

Introdução: Estudos experimentais têm demonstrado que exposições prolongadas ao ruído podem comprometer as conexões sinápticas entre as células ciliadas internas e neurônios do gânglio espiral. Esta sinaptopatia, mesmo sem comprometer a sensibilidade auditiva, pode causar alterações auditivas funcionais. Por este motivo, esta alteração vem sendo denominada de perda auditiva oculta ou sinaptopatia coclear. Em indivíduos expostos a ruído ocupacional, mesmo na presença de limiares auditivos dentro da normalidade, a hipótese é de que a presença de uma possível perda auditiva oculta possa causar dificuldades na compreensão da fala, especialmente em ambientes ruidosos, bem como na percepção de pistas temporais. Ainda são escassos os estudos que visam identificar a perda auditiva oculta em indivíduos normo-ouvintes expostos ao ruído. No entanto, pesquisas realizadas por meio dos potenciais evocados auditivos de longa latência (PEALL) têm identificado o comprometimento do processamento auditivo cortical nesta população. Objetivo: Analisar os valores de latência e amplitude dos componentes do PEALL, realizado em situações com e sem ruído contralateral, em trabalhadores normo-ouvintes expostos ao ruído ocupacional em comparação com indivíduos normo-ouvintes não expostos ao ruído. Metodologia: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição (parecer nº 2.435.259/CAAE: 79905317.7.0000.0065). Participaram do estudo 40 indivíduos, do sexo masculino, com idades entre 22 e 54 anos. Todos os indivíduos apresentavam limiares auditivos dentro da normalidade, não apresentavam alterações neurológicas ou psiquiátricas evidentes e nem histórico de exposição a produtos químicos. Os indivíduos foram divididos em dois grupos, cada um com 20 indivíduos: Grupo Estudo (GE) e Grupo Controle (GC). No GE os indivíduos eram trabalhadores expostos ao ruído ocupacional acima de 85 dBNA por um ano ou mais e no GC os indivíduos não eram expostos ao ruído ocupacional. Todos os indivíduos realizaram o PEALL com estímulo Tone Burst, a 75 dBNA, tanto na ausência como na presença de ruído branco contralateral a 60 dBNA. O estímulo frequente foi de 1000 Hz e o raro de 2000 Hz. Dentre os 300 estímulos apresentados, 15% corresponderam ao estímulo raro e 85% ao estímulo frequente. Foi utilizado o teste Anova para análise estatística, com nível de significância de 5%. Resultados: Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes entre os grupos para os valores de latência dos componentes P1, N1 e P2 e para os valores de amplitude de P1-N1 e P2-N2. Porém, na comparação entre GE e GC para o PEALL realizado com ruído contralateral, observou-se diferenças estatisticamente significantes nas médias das latências do componente N2 (p=0,010), com valores maiores para GE, e na amplitude N2-P3 (p= 0,010), com valores menores para GE. Conclusão: Com base nos nossos achados, podemos sugerir que os indivíduos expostos a ruído ocupacional apresentam prejuízo do processamento auditivo cognitivo quando comparados aos indivíduos sem esta exposição, principalmente na situação de maior exigência do sistema nervoso auditivo central.

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DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.501
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/501


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