AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA BÁSICA DE PACIENTES ADULTOS PÓS TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO QUE FALHARAM NA TRIAGEM AUDITIVA
Pace, M. C. M. ;
Suriano, I. C. ;
Gil, D. ;
INTRODUÇÃO: Os traumas neurológicos são considerados um dos problemas de saúde pública, sendo o Traumatismo Cranioencefálico a principal causa de morbidade e de mortalidade em adultos jovens nos países ocidentais. No Brasil, aproximadamente, 500 mil pessoas por ano, necessitam de cuidados hospitalares devido a traumatismo cranioencefálico, destas, 15% desenvolvem perda irreversível de alguma função neurológica. No presente estudo, destacamos os distúrbios auditivos pós-traumáticos que estão entre as principais consequências do traumatismo cranioencefálico. OBJETIVO: apresentar os resultados da avaliação audiológica básica de pacientes adultos pós traumatismo cranioencefálico que falharam na triagem auditiva. MÉTODO: Trata-se da continuação de um estudo observacional transversal que foi realizado no ambulatório de Neurotrauma/Neurocirurgia do Hospital São Paulo e no Departamento de Fonoaudiologia da UNIFESP, após ter sido aprovado pelo comitê de ética institucional. A primeira parte do estudo contou com a seleção de indivíduos na faixa etária de 18 a 60 anos com histórico de traumatismo cranioencefálico de qualquer grau há mais de 6 meses. Para o desdobramento do estudo, os pacientes que falharam na triagem auditiva foram convocados a comparecer ao Ambulatório de Distúrbios da Audição para avaliação audiológica básica da audição (audiometria tonal, logoaudiometria e impedanciometria). RESULTADOS: Os 15 pacientes que falharam na triagem auditiva foram convocados por meio de contato telefônico e agendados para realizar os exames audiológicos completos. Destes, um recusou-se a realizar o exame completo e cinco, por motivos diversos (desistência, problemas no transporte, covid-19, entre outros). Sendo assim, a amostra consistiu em 10 pacientes dos quais com base na audiometria tonal 60% (06 indivíduos) apresentaram perda auditiva bilateral, 30% (03 indivíduos) perda auditiva unilateral e 10% (01 indivíduo) com limiares auditivos dentro da normalidade bilateralmente. Considerando por orelha, os que apresentaram perda auditiva na orelha direita (07), observamos os seguintes tipos e graus: 71,4% (05) perda auditiva neurossensorial em frequências altas, 14,2% (01) mista em frequências altas e 14,2% (01) neurossensorial de grau leve. Já na orelha esquerda (8), 37,5% (03) apresentaram perda auditiva neurossensorial de grau leve, 12,5% (01) neurossensorial de grau profundo, 37,5% (03) neurossensorial em frequências altas e 12,5% (01) neurossensorial a partir de 1kHz. Na logoaudiometria 90% (18 orelhas) apresentaram reconhecimento de fala normal, 5% (01 orelha) com reconhecimento de monossílabos e dissílabos alterados e 5% (01 orelha) não foi possível realizar o procedimento devido ao grau da perda auditiva. Na impedanciometria, das 20 orelhas avaliadas tivemos, 70% curvas do tipo A (14), 20% (4) do tipo Ad e 5% (01) do tipo Ce 5% (01) curvas do tipo Ar. Na pesquisa dos reflexos acústicos, 75% (15 orelhas) apresentaram alteração (ausência de reflexos acústicos contralaterais) e 25% (02) apresentaram reflexos acústicos contralaterais presentes em ambas as orelhas. CONCLUSÃO: A partir dos achados deste estudo, concluímos que dos 10 pacientes que compareceram e falharam na triagem auditiva, 9 (90%) apresentaram perda auditiva, demonstrando a sensibilidade do procedimento de triagem.
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