COMPARECIMENTO NA FASE DO DIAGNÓSTICO DE UM PROGRAMA DE TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL UNIVERSAL EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
ALS ;
MSM ;
CCA ;
DRVS ;
DSK ;
ART ;
Introdução: O objetivo dos programas de Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU) é possibilitar a detecção precoce da perda auditiva, e a partir desta identificação viabilizar a promoção da reabilitação auditiva em tempo oportuno. Dessa forma, torna-se importante monitorar os índices de abrangência da TANU, o percentual de neonatos encaminhados tanto no reteste quanto no diagnóstico para verificar a efetividade do mesmo. Objetivo: Avaliar o comparecimento no diagnóstico a partir do fluxo de atendimento desde a esfera da identificação, verificando o quantitativo de exames realizados assim como o percentual de encaminhamentos para reteste e diagnóstico. Metodologia: Foram analisados os registros de neonatos que realizaram TANU no período de janeiro de 2018 a abril de 2020. O projeto foi aprovado com o número CAAE: 32690820500005327. Resultados: No período foram realizadas 8.160 avaliações sendo 74,8% utilizando-se de otoemissão acústica evocada transiente (OEAT) e 25,2% através do potencial evocado auditivo de tronco encefálico automático (PEATE-A). A abrangência da TANU atingiu 96,25%, acima do indicador de qualidade de 95% definido pela diretriz nacional de atenção à triagem auditiva neonatal (DNATAN). O encaminhamento para reteste ocorreu em apenas 9,4% onde foram realizadas 663 OEAT e 101 PEATE-A. Quanto ao diagnóstico, apenas 0,8% necessitaram do encaminhamento, ou seja, apenas 8,1% dos neonatos que realizaram o reteste. Este percentual esteve abaixo do índice de neonatos encaminhados para diagnóstico indicado pela DNATAN (entre 2% a 4% dos triados). Para a realização do diagnóstico o serviço reorganizou seu fluxo e atualmente o exame é realizado no mesmo dia da consulta de revisão com a equipe médica, porém mesmo assim a evasão ainda é elevada. O comparecimento ao diagnóstico foi de 74,2% dos neonatos encaminhados para essa fase, abaixo do determinado pela DNATAN que prevê um índice de 90%. Outras pesquisas também identificaram comparecimento ao diagnóstico abaixo dos 70% e fatores socioeconômicos como a distância entre a moradia e o local de diagnóstico, dificuldades com o transporte, horário de trabalho dos pais, números de telefone e endereços transitórios podem ser elencados como um dos obstáculos para o acesso à continuidade do diagnóstico. Dentre as características dos encaminhamentos, compareceram 75% dos neonatos encaminhados da internação pediátrica, 80% da neonatologia e 69% da unidade de internação obstétrica. Estiveram com achados de normalidade 58,7% e com algum grau de alteração auditiva 41,3%. Dos alterados, 30,4% apresentaram perda auditiva condutiva, 4,3% perda auditiva neurossensorial e em 6,5% a existência de microfonismo coclear. A perda auditiva foi detectada em 0,23% dos neonatos triados. Dentre os desfechos, 52,2% seguiram em acompanhamento ambulatorial com a equipe médica, 34,8% tiveram alta, 8,7% evadiram aos atendimentos com a equipe médica e 4,3% foram encaminhados para regulação estadual. Conclusão: O comparecimento ao diagnóstico obtido ainda está aquém do previsto. A busca ativa destes indivíduos é nossa mais importante ferramenta, mas infelizmente nem sempre o contato com estas famílias é possível devido a constantes mudanças de telefones e endereços.
* BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas e Departamento de Atenção Especializada. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/diretrizes_atencao_triagem_auditiva_ neonatal.pdf
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