USO DOS DISPOSITIVOS DE AMPLIFICAÇÃO SONORA POR IDOSOS E MELHORA NA QUALIDADE DE VIDA
SANTOS, J. P. ;
DARUIX, S. R. S. B. ;
ROCHA, C. H. ;
SAMELLI, A. G. ;
Introdução: A perda auditiva relacionada à idade é muito comum no processo de envelhecimento e pode estar associada a diversos desfechos negativos, incluindo o declínio cognitivo, a depressão e o isolamento social. Estudos sugerem que a intervenção por meio de dispositivos de amplificação sonora pode diminuir o impacto da perda auditiva sobre estas questões. A avaliação do bom uso dos dispositivos de amplificação sonora e do desempenho pode ser realizada após o período de aclimatização. Os benefícios percebidos pelo usuário podem ser mensurados por diversas avaliações, incluindo questionários de autoavaliação validados, como o Client Oriented Scale Improvement (COSI), que identifica, a partir das necessidades auditivas levantadas pelo próprio usuário, se houve melhora, piora ou estabilidade na reavaliação. A Escala Visual Analógica (EVA) também pode ser utilizada, atribuindo-se nota de 0 a 10 (muita qualidade) para sua audição, no pré e pós-período de aclimatização. O Datalogging, recurso presente nos dispositivos de amplificação sonora, mostra as horas de uso diário e pode ser utilizado como mais um parâmetro para avaliar a adaptação. Considerando os prejuízos da perda auditiva, torna-se necessário verificar o benefício das tecnologias disponíveis para a melhora da comunicação e da qualidade de vida. Objetivo: Verificar o quanto a autopercepção da perda auditiva interfere no uso dos dispositivos de amplificação sonora, bem como os efeitos do uso dos dispositivos de amplificação para qualidade de vida. Métodos: Estudo retrospectivo aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da instituição (CAAE: 13744819.6.0000.0065). Foram levantados dados de 150 indivíduos, de acordo com os seguintes critérios de inclusão: adaptação com dispositivo de amplificação sonora; idade acima de 65 anos; perda auditiva de grau leve a severo na média das frequências de 500 a 4kHz; período de aclimatização de 4 a 6 semanas após o início do uso do dispositivo. Todos realizaram as seguintes avaliações: EVA e COSI antes e após o período de aclimatização. Também foram coletados dados como: tipo e grau da perda auditiva, índice percentual de reconhecimento de fala, tipo do dispositivo e da adaptação e Datalogging (tempo de uso). Foi realizada análise estatística descritiva e inferencial, quando pertinente, utilizando-se o teste ANOVA e teste de correlação de Pearson, com nível de significância de 5%. Resultados: Não houve correlação entre a autopercepção da perda auditiva e o tempo de uso do dispositivo. Houve diferença estatisticamente significante para a pontuação EVA antes e após a adaptação do dispositivo, com melhora de aproximadamente 3 pontos. Para o COSI, na categoria principal e secundária, a maioria dos indivíduos referiu ouvir “muito melhor” ou “melhor” após a protetização. Para a habilidade auditiva da categoria principal (quanto escuta com dispositivo), 79% dos indivíduos ouvem a “maioria das vezes”. A média de horas diárias utilizando o dispositivo foi de 9,18 horas. Conclusão: Embora não haja relação entre a autopercepção da perda auditiva e a quantidade de horas utilizando o dispositivo de amplificação, a grande maioria dos indivíduos referiu melhora significativa na audibilidade na maior parte do tempo, nas atividades de vida diária, e na qualidade de vida.
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