O USO DO ACE NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES DE ACONSELHAMENTO AUDIOLÓGICO EM ESTUDANTES DE FONOAUDIOLOGIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Machado, M. G. ;
Santos, C. S. ;
Scanferla, W. H. ;
Carvalho, S. A. S. ;
Mancini, P. C. ;
Resende, L. M. ;
Introdução: O aconselhamento de pacientes requer uma comunicação clara e compreensível de um conteúdo cientificamente válido, estabelecendo, ao mesmo tempo, uma relação de confiança entre profissional e paciente¹. Isso porque, as habilidades comunicativas do fonoaudiólogo, as técnicas utilizadas para transmitir a informação, bem como a quantidade de informações apresentadas, influenciam no processo de retenção das orientações, aumentam a satisfação e a adesão do tratamento pelo paciente². A Avaliação de Aconselhamento Audiológico (ACE) é aplicada pelo professor em sessões de aconselhamento simulada como prática integrada no ensino das habilidades comunicativas e tem promovido resultados satisfatórios para discentes e docentes³. Objetivo: Relatar a experiência de estudantes de fonoaudiologia com o uso da simulação clínica no diagnóstico de perda auditiva, por meio da aplicação do ACE. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência de uma atividade com 34 estudantes do curso de Fonoaudiologia que cursaram disciplinas de audiologia, no 7º e 9º períodos, durante o primeiro semestre de 2021. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob o número CAAE 48782121.6.0000.5149. Inicialmente, os participantes assistiram ao vídeo de simulação de uma audiologista informando o diagnóstico de perda auditiva de uma criança aos familiares, por meio de duas abordagens: sob o modelo centrado na doença e no modelo centrado na pessoa. Posteriormente, eles responderam ao questionário ACE (English, traduzido com permissão por Resende, 2021) constituído de 21 questões fechadas, com respostas que variaram de nunca à sempre, e que nortearam a análise do atendimento simulado. As questões contemplam a preparação do audiologista para o atendimento, capacidade de transmitir o diagnóstico de forma clara e sensível, avaliar a compreensão e reação dos pais ou paciente e gerenciamento do tempo da consulta. Ao final, os estudantes participaram de uma sessão de debriefing remoto com o docente da disciplina e um pós-graduando, na plataforma Microsoft Teams. Resultados: Em geral, os estudantes ponderaram no ACE que em ambos os modelos de atenção, a audiologista mostra organização do ambiente, domínio do conteúdo e postura ética perante os pais, contudo, no modelo centrado na pessoa, observaram maior proximidade entre o profissional e familiares, preocupação com a reação e compreensão dos pais perante o diagnóstico audiológico, orientações claras sobre o acompanhamento, reabilitação auditiva e o uso de LIBRAS para o desenvolvimento da linguagem. Já no debriefing remoto, todos os participantes consideraram a atividade positiva, pois possibilitou a observação e reflexão sobre a importância da comunicação durante o diagnóstico de perda auditiva e, ainda, destacaram que a empatia é um atributo importante do Fonoaudiólogo. Conclusão: O uso da simulação permitiu compreender e identificar aspectos importantes em ambos os modelos, além da análise de suas práticas clínicas. Os estudantes avaliaram positivamente a utilização dessa estratégia de ensino para desenvolver e aprimorar as habilidades comunicativas em Audiologia.
1. Thomas, D., Beshir, S.A., Zachariah, S., Sundararaj K.G.S., Hamdy, H. Distance assessment of counselling skills using virtual patients during the COVID-19 pandemic.Pharmacy Education. 2020; 20(2):196-204.
2. Bastos, B.G.; Ferrari, D. V.; Geraldo, T. Orientação ao usuário de prótese auditiva: retenção da informação. Arquivos Int. Otorrinolaringologia. 2011; 15 (4):410-417.
3. English, K., Naeve-Velguth, S., Rall, E., Uyehara-Isono, J., & Pittman, A. Development of an instrument to evaluate audiologic counseling skills. Journal of the American Academy of Audiology. 2007; 18(8):675-87.
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