IMPACTO DO RUÍDO NA OCORRÊNCIA DE EFEITOS NÃO AUDITIVOS EM TRABALHADORES INDUSTRIAIS
Walter, A. G. ;
Lopes, A. C. ;
Ribeiro, J. ;
Andrade, W. T. L. ;
Introdução: Os trabalhadores do meio industrial encontram-se expostos a diversos riscos ocupacionais que podem impactar negativamente na sua qualidade de vida. É sabido que a exposição ao ruído intenso no ambiente de trabalho pode provocar efeitos auditivos e não-auditivos prejudiciais à qualidade de vida do trabalhador, muitos deles, amplamente evitáveis por meio da intervenção fonoaudiológica realizada através dos Programas de Prevenção de Perdas Auditivas (PPPA). Objetivo: Investigar a ocorrência dos efeitos não auditivos de dificuldade para dormir, nervosismo/irritabilidade, dor de cabeça, cansaço físico e cansaço mental em trabalhadores expostos a ruído ocupacional. Metodologia: O estudo foi realizado a partir da análise de um banco de dados de entrevistas realizadas em indústrias de diversos segmentos, na Região Metropolitana de João Pessoa/PB, entre os anos de 2016 e 2019. Todas as indústrias possuíam ruído de intensidade superior a 85dB, segundo o seu Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Fizeram parte do estudo 1297 pessoas, de ambos os sexos, sendo 564 trabalhadores expostos a ruído (grupo experimental – GE, exposto a ruído superior a 85 dB por, no mínimo, 8 horas por dia) e 733 sujeitos não expostos a ruído (grupo controle – GC). Os participantes foram perguntados se os efeitos não auditivos eram percebidos “sempre”, “frequentemente”, “às vezes”, “raramente” ou “nunca” e tais informações foram, posteriormente, quantificadas, respectivamente, em 4, 3, 2, 1 e 0. Portanto, quanto maior a média apresentada pelo sujeito, maior era a sua ocorrência na população. Os dados foram analisados no software SPSS, através do Teste de Comparação de Mann-Whitney. Para todas as análises, foi adotado o nível de significância de 5% (p-valor<0,05). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, sob parecer n° 2.164.722. Resultados: A média dos entrevistados foi de 31,4 anos. O GE referiu com maior frequência os efeitos não-auditivos de cansaço físico e cansaço mental (ambos com média de 2,3 na escala Likert adotada) e o GC referiu com maior frequência o cansaço mental (1,7) e nervosismo/irritabilidade (1,4). A dificuldade para dormir foi o efeito menos referido pelos dois grupos (GE – 1,5 e GC – 0,7). Todas os efeitos não-auditivos estudados foram mais ocorrentes no GE do que no GC com p < 0,001. Conclusão: Foi verificada relação direta entre a exposição ao ruído e a ocorrência das queixas de dificuldade para dormir, nervosismo/irritabilidade, dor de cabeça, cansaço físico e cansaço mental nos trabalhadores. Espera-se que estes achados possam contribuir para a adoção de novas estratégias de prevenção de alterações não auditivas, a fim de contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida do trabalhador.
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