ESTRATÉGIAS DE TELEAUDIOLOGIA DURANTE A PANDEMIA
Santos, M. B. ;
Valença, E. C. D. ;
Silva, V. D. ;
Ferreira, R.J.S. ;
Rosa, M. R. D. ;
Introdução: A doença de coronavírus 2019 (COVID-19) possui uma alta capacidade de contágio e foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia. Com vistas a conter sua disseminação, vários países estabeleceram normas e restrições de atividades, dentre elas o distanciamento social. Tal medida impactou vários âmbitos e houve a necessidade de reorganização do trabalho, como na assistência em saúde que forçou uma mudança no quadro tradicional de atendimento com o cuidado presencial e investir em soluções tecnológicas para realizar o acompanhamento clínico não presencial dos pacientes. Iniciativas ligadas à telessaúde\telemedicina foram instituídas e a teleaudiologia tornou-se um formato seguro e prático na tentativa de manter as atividades de audiologistas e a assistência em saúde auditiva. Objetivo: Identificar as estratégias de teleaudiologia adotadas durante a pandemia de COVID-19. Método: Foram realizadas buscas nas bases Google Acadêmico, Pubmed e BVS, com os termos “pandemia por COVID-19”, “telessaúde”, “audiologia” e “telerreabilitação” relacionados, foram considerados artigos em português e inglês, que relatam a experiência da prestação de alguns serviços por teleaudiologia. Resultados: Foram encontrados 08 artigos relevantes, que mostraram algumas medidas propostas para diminuição dos impactos causados pelas restrições da COVID-19 com a realização de teleaudiologia através de atendimentos online, estruturalmente organizados, disponibilizados por empresas fabricantes de aparelhos auditivos e centros de fonoaudiologia, além do fornecimento de serviços auditivos pelo Ministério da Saúde. Dentre os serviços prestados foram encontrados principalmente, avaliação, orientações e acompanhamento de usuários de aparelhos auditivos de amplificação individual ( AASI); o programa de telessaúde da East Carolina University, desenvolvido através de tecnologia, no qual produziu um sistema com a aplicação de audiometria diagnóstica em tempo real via internet, avaliando os limiares auditivos e utilizando um computador controle de um audiômetro remoto via internet; telerreabilitação de pacientes com alterações do processamento auditivo central, com estratégias de treinamento auditivo síncrono que obtiveram respostas com a mesma efetividade do treinamento realizado em cabine no formato presencial. A literatura também apresenta um roteiro para a prestação de serviços por teleaudiologia, com dicas sobre o envio prévio de orientações aos pacientes, solicitação quando necessário de um membro de apoio com ele para auxiliar o profissional. Ainda com tais evidências de efetividade da utilização da teleaudiologia para essas demandas, alguns estudos relataram que houve a necessidade de realizar consultas presenciais devido a limitação no tocante a alguns testes e ferramentas de avaliação e terapia. Conclusão: Foram encontradas na literatura estratégias de teleaudiologia que facilitaram a atuação em teleavaliação e telemonitoramento de pacientes usuários de AASI, telerreabilitação de pacientes com alterações do processamento auditivo central e a realização do exame de audiometria por meio remoto, tais achados demonstram que as tecnologias auxiliaram a prática nesta área, mas que há ainda um déficit que resulta na necessidade do desenvolvimento de ferramentas e inovações tecnológicas acessíveis no tocante a outras demandas e necessidades para que seja possível a prestação integral e de qualidade da atenção em audiologia por meio remoto.
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