DESEMPENHO DE ALUNOS NA TRIAGEM DO PROCESSAMENTO AUDITIVO PÓS-PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO AUDITIVA APLICADO POR PROFESSORES EM TUTORIA E EXTENSIONISTAS DE FONOAUDIOLOGIA
LEAL, A.V.S. ;
PEREIRA, Y.S. ;
TELES, J.V. ;
SILVA, I.M.C. ;
Introdução: A integridade do sistema auditivo, bem como suas habilidades, garantem o desenvolvimento da linguagem oral e escrita. O Processamento Auditivo envolve habilidades desde a detecção até a compreensão do som. Caso o indivíduo tenha alterações em alguma dessas habilidades, é denominado Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC). Com a avaliação e intervenção precoce é possível minimizar os possíveis impactos do TPAC no desenvolvimento e na alfabetização. Objetivo: O objetivo do trabalho foi comparar a estimulação auditiva precoce em escolares realizada por estudantes de Fonoaudiologia e professores do 1º ano do Ensino Fundamental, sob tutoria fonoaudiológica. Metodologia: Tratou-se de um estudo de coorte com amostra pareada, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de parecer 2.406.617. Foi comparado o desempenho dos alunos estimulados por extensionistas do Programa Audiologia na Escola (Grupo 1) e por professores participantes do Programa de Tutoria desenvolvido pela extensão (Grupo 2), através da avaliação simplificada do processamento auditivo e teste de atenção auditiva sustentada (THAAS), antes e depois da estimulação. Resultados: No teste MSNV o Grupo 1 apresentou 36% de acertos e 64% de falha antes da estimulação, e 54% de certo para 46% de falhas após. No teste MSV apresentou 52% de acertos e 46% de erros, e após 74% de acertaram e 26% falharam. O THAAS apresentou melhora nas médias de desatenção, impulsividade e total de erros. Já o Grupo 2 apresentou no teste MSNV 14,2% de acertos e 85,7% de falhas antes da estimulação, e após foram 45,4% que passaram e 54,5% falharam. No teste MSV, 100% das crianças falharam na primeira, sendo que após 36,6% passaram e 63,3% falharam. No THAAS, o Grupo 1 apresentou média de 37,4 erros de desatenção no primeiro momento e 37 no segundo. Na impulsividade, obteve-se média de 8,7 erros na primeira e 3,95 na segunda avaliação, apresentando melhora. No Total de Acertos, observou-se média de 82,59 e depois 83, com significância estatística. O Grupo 2 apresentou média de 7,6 erros de desatenção na primeira avaliação e 3,44 na segunda. Para a Impulsividade, constatou-se 3,36 na avaliação prévia e, no segundo momento, 3,12. Em Total de Erros obtivemos a média de 55,24 e 49,36 na segunda avaliação. Para o Grupo 2, observou-se qualitativamente melhora em todos os resultados da segunda avaliação, porém sem relevância estatística. Conclusão: Ambos os grupos apresentaram resultados positivos em relação à estimulação auditiva e à melhora de desempenho das habilidades auditivas. Salienta-se a importância de profissionais fonoaudiólogos na rede de ensino, junto ao trabalho educacional, criando, em sala de aula, um espaço de estimulação e crescimento, para alcançar mais crianças e professores para desenvolvimento de habilidades auditivas.
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