ESTUDO DO SINTOMA ZUMBIDO EM MULHERES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR DURANTE A PANDEMIA DO COVID 19
Vosgerau, G. ;
Scharlach, R.C. ;
Silva, E.D. ;
Stefani, F.M. ;
Introdução: A pandemia de COVID-19 trouxe diversas repercussões negativas para a população, dentre elas o impacto psicossocial, acarretando em aumento dos problemas psicológicos, como estresse, depressão e ansiedade. A disfunção temporomandibular (DTM) engloba diversos distúrbios funcionais e muitas vezes vem acompanhada de sintomas otológicos como o zumbido, no entanto até o momento não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito. O zumbido e a DTM podem ter origem multifatorial e estão intimamente relacionados aos fatores emocionais. Objetivo: Investigar a ocorrência do sintoma zumbido em mulheres com DTM antes e durante a pandemia de COVID-19. Metodologia: Estudo observacional, descritivo e transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número: 80653017.8.0000.0121 realizado em março de 2021. Participaram do estudo 14 mulheres com idade variando de 18 a 30 anos com diagnóstico de DTM e que realizaram terapia fonoaudiológica durante quatro semanas nos anos de 2018 ou 2019 e apresentavam avaliação audiológica básica dentro dos critérios de normalidade. As participantes responderam um questionário online relacionando os sintomas da DTM e zumbido apresentados após o tratamento fonoaudiológico e durante a pandemia. As mulheres que referiram a presença do zumbido também responderam online o questionário THI (Tinnitus Handicap Inventory). Os dados foram tabulados numa planilha do excel e foram submetidos à análise estatística descritiva. Resultados: Os dados da pesquisa mostraram que ao término da terapia fonoaudiológica oito participantes apresentaram a queixa do zumbido (57,1%), sendo observado um aumento durante a pandemia (71,4%). Quanto ao resultado do THI observou-se uma pontuação média de 19 pontos, gravidade leve. Apesar do impacto leve na qualidade de vida, 60% da amostra respondeu que sente como se não pudesse se livrar do zumbido e que este sintoma piora quando está estressado e, 40% relatou que sente que não tem controle sobre o zumbido. Outros sintomas relacionados à DTM (bruxismo e estalo articular) também apresentaram aumento durante a pandemia. Conclusão: Os resultados mostram que mesmo após a terapia fonoaudiológica há a presença do sintoma do zumbido, no entanto observou-se um aumento deste durante a pandemia da COVID-19, além da significativa parcela de participantes que se identificou com os aspectos catastróficos referentes ao seu zumbido no questionário THI. Mais estudos precisam ser realizados para avaliar a real associação do aumento do sintoma com a situação pandêmica no país no momento da pesquisa, levando em conta os abalos psicológicos desse período.
FERREIRA, PEA; CUNHA, F; ONISHI, ET; BRANCO-BARREIRO, FCA; GANANÇA, FF. Tinnitus handicap inventory: adaptação cultural para o português brasileiro. Pró-Fono Revista de Atualização Científica, [S.L.], v. 17, n. 3, p. 303-310, dez. 2005.
XIA, L et al. COVID-19 associated anxiety enhances tinnitus. PLoS One, [S.L], v.16, n. 2, p. 1-22, fev 2021.
MENDES, LMR; BARRETO, MCA; CASTRO, SS. Instruments that assess functioning in individuals with temporomandibular disorders and the International Classification of Functioning: systematic review. Brazilian Journal Of Pain, [S.L.], v. 1, n. 4, p. 63-67, mar. 2021.
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