A INCIDÊNCIA DE ALTERAÇÕES AUDITIVAS E VESTIBULARES EM PESSOAS COM FIBROMIALGIA
FERNANDES, D. P ;
Introdução: A fibromialgia (FM) pode ser definida como uma síndrome musculoesquelética, tendo como característica a dor crônica e generalizada, sendo uma doença multifatorial, que tem como possível fisiopatologia a alteração do mecanismo central de controle a dor, que incluiria uma deficiência de neurotransmissores inibitórios ou uma hiperatividade desses neurotransmissores, devido a um distúrbio na neuromodulação da dor, relacionado as alterações no Sistema Nervoso Central (SNC). Dentre os inúmeros sintomas presentes no quadro clínico da doença, verifica-se alteração no processamento sensorial auditivo e uma maior probabilidade de perda auditiva nesse público, além de achados relacionados a distúrbios na função oculomotora, diminuição do fluxo sanguíneo no labirinto, sendo também que a disfunção vestibular pode estar associada ao SNC. Esses achados relacionados aos aspectos auditivos e vestibulares podem afetar a qualidade de vida desses indivíduos, que já é prejudicada pelo diagnóstico em si da doença. Objetivo: Identificar a incidência de alterações auditivas e vestibulares em pessoas com fibromialgia. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa do tipo analítica observacional transversal de caráter quantitativo, avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos, sob o parecer de número 5.101.005. Realizou-se um questionário adaptado para aplicação em formato de formulário para os participantes, que totalizou 22 perguntas, sendo apresentado via link do Google Forms. Participaram dessa pesquisa o total de 541 participantes, com a idade variando-se entre 20 a 70 anos, destas, 98,71% foram do sexo feminino e 1,29% do masculino. Resultados: Dentre os participantes, encontraram-se as queixas relacionadas as alterações auditivas, sendo 87,99% apresentaram dificuldade de escutar em ambiente ruidoso, 85,77% não entende quando falam rápido ou ‘‘abafado’’, 73,20% tem dificuldade para entender os sons, 90,02% pedem para repetir o que lhe foi dito. Quanto as alterações vestibulares, foi possível evidenciar que 86,65% apresentaram tontura e 87,80% apresentaram zumbido. Além disso, evidenciou-se que 81,4% negaram terem sido informados ou orientados sobre a possibilidade dos prováveis sintomas auditivos e vestibulares, como também observou-se um percentual elevado de participantes que negaram terem sido orientados a buscar tratamento com o médico otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo. Conclusão: Portanto, pode-se concluir que as pessoas com fibromialgia apresentam alta incidência de alterações auditivas e vestibulares, e que não recebem orientações e muito menos o tratamento audiológico e otológico apropriado, resultando em mais prejuízos na qualidade de vida, destacando-se a importância do acompanhamento fonoaudiológico e otorrinolaringológico.
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