RELAÇÃO ENTRE A IDENTIFICAÇÃO DE CONTRASTES FONOLÓGICOS E A HABILIDADE DE RESOLUÇÃO TEMPORAL EM INDIVÍDUOS COM TRANSTORNO DOS SONS DA FALA
Martins, R. C. G. ;
Berti, L. C. ;
Cardoso, A. C. V. ;
Introdução: O processo da produção da fala envolve a integração das informações auditivas, somatossensorias e motoras no cérebro. Sendo assim, é fundamental avaliarmos as habilidades auditivas de crianças com o diagnóstico de transtorno dos sons da fala. Uma das habilidades importantes para este processo é resolução temporal, que se refere a capacidade do indivíduo de reconhecer os sons da fala e perceber mudanças na duração, pausas e velocidade das sílabas. Objetivo: Relacionar a identificação de contrastes fonológicos e a habilidade de resolução temporal em indivíduos com transtorno dos sons da fala. Método: A amostra foi composta por 14 crianças, de ambos os sexos, na faixa etária entre 7 e 14 anos, e diagnóstico de transtorno dos sons da fala realizado por meio das provas de Fonologia, com levantamento da Percentage of Consonants Correct – Revised (PCC-R). Foram utilizados os seguintes procedimentos: avaliação audiológica básica e comportamental do processamento auditivo central (PAC), e aplicação do PERCERFAL para a avaliação da identificação de contrastes fonológicos. A habilidade auditiva de resolução temporal foi realizada por meio da aplicação do Random Gap Detection Test (RGDT). A análise do desempenho dos indivíduos no PERCEFAL e no RGDT foi realizada por meio do Coeficiente de Correlação de Pearson, que correlacionou o desempenho perceptivo- auditivo (% de erros e acertos e tempo de reação) das classes fônicas e a habilidade de resolução temporal. Resultados: A análise dos achados da avaliação do PAC mostrou que 78,5% dos indivíduos com transtorno dos sons da fala apresentaram desempenho alterado para o RGDT e, que o limiar médio de intervalos detectados por eles foi de 14,3 ms. Ao correlacionar o desempenho perceptivo- auditivo das classes fônicas (oclusivas, fricativas, sonorantes e vogais) com a habilidade de resolução temporal se observou correlação significante apenas entre o tempo de reação dos acertos e erros na classe das vogais e o RGDT, mais especificamente na frequência de 4000 Hz, ou seja, quanto mais tempo o indivíduo necessita para detectar intervalos de silêncio, maior é a porcentagem de acertos na identificação das vogais e vice-versa e, que quanto menor o tempo de detecção do intervalo de silêncio, mais erros de identificação das vogais eles comentem. Conclusão: Indivíduos com transtorno dos sons da fala são mais laboriosos tanto na tarefa de processamento auditivo que envolve os aspectos temporais, especificamente a habilidade de resolução temporal, quanto no tempo de reação que necessitam para apresentar uma resposta no teste de identificação fônica.
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