ESTUDO DO RECONHECIMENTO DE FALA NO RUÍDO E DA MEMÓRIA OPERACIONAL EM ADULTOS E IDOSOS COM AUDIÇÃO NORMAL
Akashi, D. A. ;
Martinelli, M. C. ;
INTRODUÇÃO: O reconhecimento de fala na presença de ruído pode ser caracterizado como uma tarefa que demanda tanto o uso da audição, da memória operacional, como da atenção. Durante o processo de envelhecimento, além da alteração no sistema auditivo, podem ocorrer alterações nos processos cognitivos, que acarretam prejuízo no reconhecimento de palavras e na compreensão de sentenças. Na prática clínica, observa-se que pacientes com o mesmo grau e configuração de perda auditiva ou até mesmo com limiares auditivos dentro dos padrões da normalidade apresentam desempenhos substancialmente diferentes quanto à percepção de fala. Provavelmente, porque outros fatores, além da sensibilidade auditiva, podem interferir no reconhecimento de fala. Assim, são necessários estudos que investiguem o desempenho de ouvintes em condições de escuta desfavoráveis para a identificação dos processos que podem interferir na percepção de fala desses sujeitos. OBJETIVO: Verificar a influência da idade, do processamento temporal e memória operacional no reconhecimento de fala no ruído. MÉTODO: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob o parecer nº 0839/2019. Participaram da pesquisa 38 indivíduos adultos e idosos de ambos os gêneros com limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade. Os participantes foram distribuídos em dois grupos: Grupo Adultos (G1) composto por 10 indivíduos de 21 a 33 anos e Grupo Idosos (G2) com 28 participantes de 60 a 81 anos que foram submetidos à avaliação audiológica, Teste Listas de Sentenças em Português, Gaps-in-Noise test, Digit Span, Running Span, Teste de Blocos de Corsi, Teste de Padrões Visuais. Os dados obtidos foram submetidos ao teste de Shapiro-Wilk, t de Student, U de Mann-Whitney e modelo linear de regressão múltipla. RESULTADOS: Em relação aos testes aplicados, o grupo G1 apresentou melhor desempenho em todas as tarefas em comparação ao G2. As variáveis escolaridade, condição socioeconômica e processamento temporal demonstraram não influenciar no desempenho do teste de fala no ruído. Enquanto a pontuação do teste Running Span mostrou-se um preditor estatisticamente significante da variável escuta no ruído. Em conjunto, esse resultado demonstrou que a influência da faixa etária sobre a escuta no ruído é mediada pela memória operacional, ou seja, a diferença no desempenho entre os grupos G1 e o G2 em relação à escuta no ruído é decorrente não apenas do envelhecimento, mas também das alterações na memória operacional. CONCLUSÃO: O presente estudo revelou que os fatores escolaridade, condição socioeconômica e processamento temporal não foram preditores estatisticamente significantes da escuta no ruído. Observou-se que diferença no desempenho entre os adultos e idosos em relação à percepção de fala no ruído sofre influência do declínio da memória operacional que pode ser decorrente do processo de envelhecimento. Tarefas que envolvem a memória operacional podem fornecer informações importantes e complementares na avaliação de indivíduos que apresentam dificuldade de escuta em ambientes desfavoráveis.
Caporali AS, Silva JA da. Reconhecimento de fala no ruído em jovens e idosos com perda auditiva. Rev. Bras. Otorrinolaringol., São Paulo , v. 70, n. 4, p. 525-532, Aug. 2004
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