CONHECIMENTO DE PROFESSORES SOBRE PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL: DADOS PRELIMINARES
Avanzi, A. M. F. ;
Cardoso, A. C. V. ;
Introdução: Diversos estudos têm investigado a relação entre a integridade do sistema auditivo e os tipos de funções sensoriais e perceptuais necessárias para favorecer o processo de aquisição de linguagem e de aprendizagem. Crianças com transtorno do processamento auditivo apresentam diversos comportamentos que podem ser confundidos com outros problemas, como por exemplo o transtorno do déficit de atenção de hiperatividade (TDAH), alterações de aprendizagem, problemas comportamentais e imaturidade. Assim sendo, é fundamental que os professores tenham conhecimento sobre o tema “processamento auditivo”; sejam capazes de identificar comportamentos que estejam afetando a escuta, a comunicação e a aprendizagem dos alunos; realizar encaminhamento para avaliação específica e de promover modificações ambientais em sala de aula para melhorar as condições de escuta e aprendizagem. Objetivo: Investigar o conhecimento de professores do ensino fundamental sobre processamento auditivo. Metodologia: Este estudo teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa de uma Instituição de Ensino Superior, sob parecer nº 5.109.867. O estudo foi realizado com uma amostra de conveniência composta por 63 professores do 1º ao 5º ano (isto é, crianças de seis a onze anos de idade) do ensino fundamental da rede pública de um município do interior paulista. Todos os participantes responderam a um questionário, elaborado pelas pesquisadoras, composto por 20 questões dissertativas e de múltipla escolha sobre o tema processamento auditivo. Esse questionário foi aplicado por meio do formulário Google. Os achados foram analisados de forma descritiva. Resultados: Os questionários foram respondidos por 63 professores, de ambos os sexos, com tempo médio de atuação de 13 anos. Destes, 71% declararam ter pouco ou nenhum conhecimento sobre o que é processamento auditivo e 73% informaram desconhecer o que é o transtorno do processamento auditivo central (TPAC). Uma das questões perguntava se um aluno com TPAC poderia ser considerado deficiente auditivo e 54% dos educadores relataram que não sabiam a resposta. Outra questão solicitava que os professores citassem algum comportamento sugestivo de TPAC em seus alunos e 35% dos entrevistados não souberam mencionar. Quanto aos possíveis encaminhamentos para avaliação e diagnóstico, 55% indicaram corretamente o fonoaudiólogo como profissional habilitado, porém 78% declararam não saber ao certo se existe tratamento específico para alunos com essa alteração. Aproximadamente 68% dos professores desconheciam ações que poderiam ser realizadas no ambiente escolar para auxiliar um aluno com diagnóstico de TPAC e 90% relataram que nunca participaram de qualquer formação, capacitação ou curso pedagógico que abordou essa temática. Por fim, é importante destacar que 84% dos docentes afirmaram que não se consideram habilitados para detectar comportamentos sugestivos de TPAC em seus alunos e encaminhá-los para avaliações específicas. Conclusão: Professores da rede pública de ensino tem conhecimento limitado sobre o tema Processamento auditivo e seu transtorno e não se consideram habilitados para atender alunos com esse diagnóstico no ambiente educacional. Desta forma, faz-se necessário mais investimentos na formação continuada de professores, em especial, nos temas relacionados a patologias que influenciem o processo de ensino-aprendizagem.
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