Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA EMERGENCIAL EM CASOS DE SURDEZ SÚBITA
TSCHIEDEL, R.S. ; SÁ, L.S. ; OLIVEIRA, R.P.R. ; PIRES, T.O. ; GRANJEIRO, R.C. ; KEHRLE, H.M. ; OLIVEIRA, T.S.C. ;

Introdução. A perda auditiva neurossensorial súbita é considerada uma das principais emergências otorrinolaringológicas, e acomete sobretudo adultos. Frequentemente é unilateral e de origem idiopática. A avaliação audiológica deve ser realizada nos primeiros dias do início dos sintomas, com vistas ao diagnóstico diferencial e à maior segurança na indicação do tratamento otorrinolaringológico. Objetivo. Avaliar a sensibilidade auditiva, a percepção da fala, a mobilidade do sistema timpano-ossicular e o funcionamento do arco reflexo de indivíduos acometidos por surdez súbita. Metodologia. Vinte e seis indivíduos com idade entre 9 e 64 anos, atendidos entre os anos de 2016 e 2021 em um serviço emergencial de Otorrinolaringologia no pronto socorro de um hospital público no Distrito Federal, foram submetidos a avaliação audiológica no mesmo dia do pronto atendimento (ou poucos dias após). Os exames realizados foram: audiometria tonal limiar, logoaudiometria, timpanometria e pesquisa do reflexo acústico. O grau da perda auditiva foi definido com base nos critérios da Organização Mundial da Saúde. O projeto de pesquisa do qual se originou este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 4.802.510). Resultados. A maioria dos sujeitos (25) foi acometida pela surdez súbita na fase adulta, especialmente entre os 30 e 60 anos de idade. A alteração na sensibilidade auditiva da orelha com surdez súbita foi de grau severo, profundo ou completo em 20 casos, e em sete o grau foi moderado ou moderadamente severo. A orelha contralateral apresentava audibilidade dentro do padrão de normalidade em 19 indivíduos, mas cinco apresentavam perda leve ou moderada prévia, e outras três já apresentavam perda auditiva completa. Em 10 orelhas com surdez súbita o índice de reconhecimento da fala (IRF) não foi testado, em sete delas o resultado foi 0% de acerto para monossílabos, em outras sete o IRF variou entre 12 e 48%, e em três o IRF variou entre 72 e 100%. Um indivíduo não foi submetido à timpanometria nem à pesquisa do reflexo acústico. Na maior parte dos casos (22), a orelha com surdez súbita apresentou boa mobilidade do sistema timpano-ossicular, e em quatro casos apresentou mobilidade reduzida ou elevada. Quanto ao reflexo acústico, 19 orelhas com surdez súbita apresentaram ausência do reflexo ipsilateral, sete apresentaram reflexo ipsilateral presente pelo menos parcialmente, 18 apresentaram ausência do reflexo contralateral, em sete o reflexo contralateral estava presente porém com indicativo de recrutamento, e em uma orelha o reflexo contralateral estava parcialmente presente. Em 13 casos houve recuperação parcial da sensibilidade auditiva, em sete a recuperação foi completa e em outros sete não houve recuperação alguma da audição. Conclusão. Na amostra estudada, a surdez súbita alterou significativamente a sensibilidade auditiva, a percepção da fala e o funcionamento do arco reflexo. Poucos casos recuperaram plenamente a audição. Considerando os achados audiológicos, estima-se que o impacto na vida cotidiana seja considerável, agravado pelo fato de que o indivíduo precisa lidar, de forma repentina, com uma mudança significativa da sensibilidade auditiva e com suas consequências na percepção da fala, entre outros prejuízos.

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XIE, Yanjun et al. Outcomes of unilateral idiopathic sudden sensorineural hearing loss: Two decades of experience. Laryngoscope investigative otolaryngology, v. 4, n. 6, p. 693-702, 2019.

ARSLAN, Fatih et al. Anxiety and depression in patients with sudden one-sided hearing loss. Ear, Nose & Throat Journal, v. 97, n. 10-11, p. E7-E9, 2018.
DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.582
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/582


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