CONTRIBUIÇÕES DA AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA ELETROFISIOLÓGICA NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL INFANTIL
SIDERI, K.P. ;
Chiriboga, L.F. ;
SANTOS, M.F.C. ;
Introdução: O desenvolvimento auditivo segue etapas graduais de complexidade. Assim, para que uma criança adquira a linguagem e desenvolva sua fala, deve ser capaz de detectar um som, discriminá-lo, localizá-lo, memorizá-lo, reconhecê-lo e finalmente compreendê-lo. A interrupção desta sequência levará a prejuízos funcionais importantes e, por isso, se justifica a preocupação com o diagnóstico e a intervenção precoce nos casos de alterações auditivas. Diversos são os quadros que podem ser apresentados pelas crianças ao longo do seu desenvolvimento que evidenciam uma investigação quanto às questões auditivas. Objetivo: Analisar a demanda e o perfil audiológico dos sujeitos que procuraram pelo serviço de diagnóstico audiológico infantil. Metodologia: Estudo clínico, de corte transversal, aprovado pelo CEP sob parecer nº4.468.092. Foram selecionadas crianças com idade entre 1 e 5 anos, encaminhadas para avaliação eletrofisiológica da audição por suspeita de alteração auditiva e/ou outras questões que poderiam estar relacionadas ao desenvolvimento auditivo e que não apresentavam contraindicações para a realização do exame sob anestesia em centro cirúrgico. Foram excluídas do estudo as crianças que apresentarem malformação de orelha externa. Todos os participantes da pesquisa, quando da anuência dos seus responsáveis, tiveram seus dados coletados sob a mesma metodologia, com anamnese e, após sedação inalatória realizada pelo médico anestesiologista, realização dos seguintes procedimentos: avaliação das condições da orelha externa (meatoscopia) e aplicação do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico - PEATE com estímulos clique e tone burst e Potencial Evocado Auditivo de Estado Estável – Nova Geração, com estímulo NB CE Chirp utilizando o equipamento Eclipse (Interacoustics). Resultados: Um total de 71 sujeitos participaram da pesquisa, sendo 62 do sexo masculino e 9 do feminino. Em relação à demanda apresentada para a realização do exame, 59,15% dos casos (N=42) relataram atraso de fala/ linguagem, 25,35% (N=18) suspeita de autismo e 15,5% (N=11) suspeita de alteração auditiva, sendo a maioria dos encaminhamentos realizados pelo médico otorrinolaringologista. Em relação ao diagnóstico audiológico, 90,14% (N=64) dos casos apresentaram achados compatíveis com os padrões de normalidade auditiva bilateralmente, enquanto 9,86% (N=7) apresentaram alterações auditivas unilaterais ou bilaterais. Todas as crianças, independentemente dos resultados, foram orientadas a retornar ao médico de origem. A possibilidade da avaliação audiológica eletrofisiológica com o auxílio da realização de anestesia viabilizou o conhecimento das questões auditivas de crianças da faixa etária mencionada com um amplo espectro de queixa, que seria de maior dificuldade para realização em condições de sono natural. Em diversos casos, a avaliação auditiva colaborou como uma ferramenta de diagnóstico diferencial, possibilitando que melhores condutas sejam adotadas. Em outros, houve a real identificação de alterações auditivas, o que também permitiu um melhor prognóstico de intervenção para os casos. Conclusão: A maior demanda apresentada para a realização do exame foram queixas relacionadas ao desenvolvimento da fala/linguagem e os encaminhamentos realizados por médicos otorrinolaringologistas. Achados compatíveis com padrões de normalidade auditiva foram observados na maior parte dos casos.
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