Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

PERDA AUDITIVA POR INFECÇÃO CONGÊNITA: ESTUDO RETROSPECTIVO DE UM CENTRO DE SAÚDE AUDITIVA DO BRASIL
Guerra, M.E.S ; Novaes, B.C.A.C ; Siqueira, D.M. ; Lewis, D.R. ; Mendes, B.C.A ;

Introdução: Compreender as doenças infecciosas que afetam o desenvolvimento do sistema auditivo de um feto exposto à infecção intrauterina durante a gestação é essencial para a atualizações de programas de saúde auditiva. Entres elas, destacam-se a exposição intrauterina a alguns agentes infeciosos, como toxoplasma, rubéola vírus, herpes citomegalovírus (CMV), herpes simples vírus, treponema pallidum (sífilis), Zika vírus e Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que são identificados como indicadores de risco para perda auditiva de início precoce, tardio ou progressiva em crianças. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi identificar e descrever as características de perda auditiva por infecção congênita em um centro especializado em reabilitação. Metodologia: estudo retrospectivo exploratório, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa número 57049916500005482, realizado em um centro de referência em saúde auditiva, a partir da análise descritiva e quantitativa de dados de prontuário de todas as crianças que iniciaram o diagnóstico audiológico no ano 2018. Resultados: Do total de 195 crianças que concluíram o diagnóstico audiológico no serviço, foram identificados apenas 19 (9,74%) com infecção congênita, sendo que apenas seis (3,01%) crianças tiveram o diagnóstico de perda auditiva. Destes, dois neonatos vieram encaminhadas diretamente da maternidade, pois falharam na triagem auditiva neonatal (TAN), sendo um por infecção sífilis congênita tratada com penicilina e outro por infecção congênita citomegalovírus. Outras quatro crianças, foram oriundas de serviço de puericultura da rede de saúde primária por suspeita de perda auditiva, sendo três crianças por sífilis congênita e uma criança por Zika vírus, que compareceram no serviço com mais de um ano de idade. Conclusão: A descrição dos dados de crianças com perda auditiva identificadas neste estudo permitiu uma análise crítica de algumas características da perda auditiva por infecção congênita. No nosso estudo identificamos crianças com perda auditiva por sífilis congênita, CMV e Zika vírus; nos casos de perda auditiva do tipo neurossensorial, foi observada maior gravidade, caracterizada por perda auditiva profunda, sugerindo dano no sistema auditivo mais intenso. Ainda em alguns casos, foram verificadas comorbidades neurológicas graves como microcefalia e convulsões. Também observamos que o diagnóstico precoce depende do tipo de encaminhamento, pois os neonatos que foram diretamente oriundas da maternidade, concluíram o diagnostico etiológico precocemente, nos primeiros meses de vida, garantindo a meta de diagnóstico e intervenção sugerida JICH 2019. No entanto, as crianças oriundas do serviço de puericultura da rede primária de saúde, concluíram o diagnóstico etiológico com mais de um ano de idade, o que pode levar a impacto negativo no desenvolvimento de linguagem e fala.

1. Lewis DR, Marone ASR, Mendes BCA, Cruz OLM, Nóbrega M. Comitê Multiprofissional em Saúde Auditiva - COMUSA. Brazilian Journal of Otorhinolaringology, 2010; 76: p.121-128.
2. Fichino, Silvia Nápole. Avaliação da qualidade do Programa de Saúde Auditiva Neonatal do município de São Paulo. 2020. 136 f. Tese (Doutorado em Fonoaudiologia) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Fonoaudiologia, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2020.2.
3. Joint Committee on Infant Hearing. Year 2019 Position Statement: principles and guidelines for early hearing detection and intervention programs. The Journal of Early Hearing Detection and Intervention. 2019; 4(2): 1–44.
4. Korver AM, Smith RJ, Van Camp G, Schleiss MR, Bitner-Glindzicz MA, Lustig LR, Usami SI, Boudewyns AN. Congenital hearing loss. Nat Rev Dis Primers. 2017 Jan12;3:16094. doi: 10.1038/nrdp.2016.94. PMID: 28079113; PMCID: PMC5675031.
5. Joint Committee on Infant Hearing Year 2007 position statement: principles and guidelines for early hearing detection and intervention programs. Pediatrics. 2007; 120(4):898-921.
DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.607
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/607


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