Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

QUEIXAS AUDITIVAS E NÃO AUDITIVAS EM TRABALHADORES EXPOSTOS A RUÍDO: IDENTIFICAÇÃO DE RISCO PARA PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO
Diniz, F. A. ; Rocha, C. H. ; Moreira, R. R. ; Samelli, A. G. ;

Introdução: O ruído em níveis de pressão sonora elevados pode provocar, além dos efeitos negativos na audição, problemas na saúde em geral, como dores de cabeça, ansiedade, irritabilidade e afetar até mesmo nossa capacidade de concentração. A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) se caracteriza por uma diminuição gradual da acuidade auditiva por um período de 6 a 10 anos, durante a exposição a elevados níveis de pressão sonora, sendo neurossensorial, irreversível e de evolução progressiva, com início nas altas frequências audiométricas. Sabe-se que nem sempre a avaliação audiológica está disponível prontamente. Assim, é importante que sinais e sintomas sensíveis e específicos relacionados à saúde auditiva sejam identificados, como forma de triar os indivíduos de maior risco para apresentarem alterações relacionadas com o ruído. Objetivo: Caracterizar a prevalência de queixas auditivas e não auditivas presentes em trabalhadores expostos ao ruído, buscando correlacioná-las à presença de PAIR, como forma de identificar quais seriam os sinais e sintomas mais sensíveis e específicos para as alterações audiológicas relacionadas ao ruído. Métodos: Estudo retrospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética da instituição (n. 0778/08). Os dados foram levantados por meio de análise dos prontuários do serviço de audiologia da instituição a partir de 2018. Foram coletados dados em relação a idade, sexo, função, uso de proteção auditiva, exposição extra-ocupacional ao ruído, exposição a químicos, queixas auditivas, queixas não auditivas, limiares auditivos por frequência do último audiograma. Resultados: Até o momento foram coletados dados de 152 trabalhadores, média de idade de 53,68 anos, sendo 89% do sexo masculino. Destes, 65,78% apresentaram perda auditiva. Referente às queixas auditivas, 77,6% dos indivíduos apresentaram pelo menos uma, sendo o incômodo com sons intensos a mais relatada (50,65%), seguida pelo zumbido (38,15%) e pela dificuldade em entender a fala (31,57%). Em relação às queixas não auditivas, a tontura foi relatada por 38,81% dos trabalhadores. Na análise das queixas para a identificação do risco para PAIR (sensibilidade - S, especificidade - E, acurácia - A), observou-se respectivamente: não escutar bem – S:30%, E:82%, A:48%; incômodo para sons intensos – S:52%, E:52%, A:52%; zumbido – S:45%, E:75%, A:55%; dificuldade para entender a fala – S:36%, E:76%, A:50%; qualquer queixa auditiva – S:83%, E:33%, A:66%; queixa não auditiva – S:38%, E:59%, A:45%. Conclusão: A maioria dos trabalhadores expostos a ruído incluídos no estudo apresentou pelo menos uma queixa auditiva. A presença de qualquer queixa auditiva mostrou boa sensibilidade e acurácia na identificação da PAIR, sendo que isoladamente a que mostrou maior acurácia foi o zumbido. A queixa não auditiva teve baixa acurácia para a identificação da PAIR. Sendo assim, nossos resultados enfatizam a importância dos sinais e sintomas auditivos para identificar indivíduos com maior risco para PAIR, sendo que estes devem ter prioridade no acompanhamento audiológico, quando a audiometria não estiver disponível para todos os indivíduos. Independente disso, destaca-se a importância da promoção à saúde auditiva e prevenção das perdas auditivas com todos os indivíduos expostos a agentes otoagressores.

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Nunes C.P., Abreu T.R.M., Oliveira V.C., Abreu R.M. SINTOMAS AUDITIVOS E NÃO AUDITIVOS EM TRABALHADORES EXPOSTOS AO RUÍDO. Revista Baiana de Saúde Pública, v.35, n.3, p.548-555 jul./set. 2011.
DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.612
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/612


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