RELAÇÃO ENTRE A PERCEPÇÃO DE PADRÕES DE FREQUÊNCIA E A EXPRESSIVIDADE DE JORNALISTAS DE TV: ESTUDO PRELIMINAR
Gielow, I. ;
Faria, D.M. ;
Kyrillos, L. ;
INTRODUÇÃO: A ordenação temporal, particularmente a percepção de padrões de frequência, é uma habilidade auditiva associada com o controle motor da fala. Falhas nessa percepção aparecem na literatura relacionada a problemas vocais decorrentes do comportamento vocal abusivo ou inadequado - as chamadas disfonias comportamentais (1). No entanto, essa associação é pouco estudada em comunicadores de alta performance. Seria a habilidade de ordenação temporal de frequência associada a uma boa expressividade na comunicação?
OBJETIVO: Investigar a relação entre a expressividade de jornalistas de TV e sua habilidade em perceber diferenças de padrões de frequência, na ordem em que os estímulos foram apresentados.
MÉTODO: Trabalho aprovado pelo comitê de ética da emissora de TV onde foi realizado. Participaram 53 jornalistas atuantes no telejornalismo. Após assinarem o TCLE, esses profissionais foram submetidos ao teste de localização da fonte sonora e ao teste dicótico de dígitos, esperando-se que atingissem entre 70% e 85% de acertos, respectivamente. Do grupo inicial, 22 mulheres e 24 homens atingiram a porcentagem de acerto considerada nesta pesquisa, perfazendo um total de 46 jornalistas que seguiram no grupo de pesquisa. Estes foram avaliados por três fonoaudiólogos, que julgaram seu grau de expressividade seguindo os seguintes critérios: nível 1 = regular; nível 2 = bom; nível 3 = excelente. Os jornalistas foram submetidos a uma versão online do Teste de Ordenação Temporal de Padrões de Frequência (TPF). Foram considerados normais resultados com acerto acima de 70%. Os resultados dos testes foram analisados considerando o nível de expressividade de cada jornalista.
RESULTADOS: 21 jornalistas foram classificados com expressividade nível 3; destes, 19% falharam no teste TPF. 20 jornalistas foram classificados com expressividade nível 2, sendo que destes, 40% falharam no TPF. Por fim, 5 jornalistas foram classificados com nível de expressividade 1, e destes, 80% falharam no teste TPF.
CONCLUSÃO: Parece haver uma relação direta entre a habilidade do jornalista de perceber padrões de frequência e o nível de sua expressividade comunicativa.
(1) Ramos JS, Feniman MR, Gielow I, Silverio KCA. Correlation between Voice and Auditory Processing. J Voice. 2018 Nov;32(6):771.e25-771.e36. doi: 10.1016/j.jvoice.2017.08.011. Epub 2017 Sep 28. PMID: 28967586.
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