SISTEMA DE MONITORAMENTO AUDIOLÓGICO DOS TRABALHADORES EXPOSTOS AO RUÍDO OCUPACIONAL DE UMA UNIVERSIDADE.
Perini, B. P. ;
Rocha, C. H. ;
Moreira, R. R. ;
Samelli, A. G. ;
Introdução: O ruído é um dos principais agentes nocivos à saúde do trabalhador, ocasionando a perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados (PAINPSE), que é uma perda irreversível, mas absolutamente evitável quando medidas protetivas e de monitoramento são adotadas. Esse tipo de perda é um problema de saúde pública, sendo o ruído ocupacional responsável por 16% da perda auditiva incapacitante em adultos. Embora a legislação brasileira tenha estabelecido os parâmetros mínimos para monitoramento da audição dos trabalhadores, ainda existe uma alta prevalência da PAINPSE, em virtude principalmente da não aderência das empresas aos programas e da baixa capacidade de fiscalização governamental sobre as medidas preventivas adotadas contra o ruído. Desse modo, é fundamental a existência de sistemas eficientes de monitoramento de saúde do trabalhador, permitindo a vigilância epidemiológica constante, bem como facilitando a implementação de ações para eliminação ou redução dos riscos para a PAINPSE. Objetivo: Desenvolver e implementar um sistema para monitoramento audiológico de trabalhadores expostos a ruído ocupacional de uma universidade. Metodologia: Foi desenvolvido um sistema informatizado de prontuários virtuais, utilizando o programa Microsoft Access. Realizou-se também o levantamento retrospectivo das avaliações audiológicas a partir dos prontuários dos trabalhadores encaminhados pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) e posterior tabulação. Como critério de inclusão para a tabulação, foram considerados os funcionários ativos na instituição e os prontuários com os dados completos. Resultados: O referido serviço detém um extenso arquivo de prontuários. Para atender essa demanda, implementou-se o Sistema de Prontuários Virtuais (SPV). Dentre os benefícios do SPV, notou-se: agilidade no acesso aos dados, proporcionando a continuidade do cuidado; informações mais legíveis e qualificadas; facilidade na tomada de decisão clínica, promovendo a gestão qualificada do cuidado; remoção de prontuários físicos duplicados. Além disso, no processo de tabulação de dados, foram cadastrados 3304 prontuários, para classificação em ativos e inativos (1884 ativos e 1420 inativos). Destes, atualmente, 259 prontuários foram revisados, sendo: 143 inativos arquivados, 109 ativos digitalizados no SPV e 7 ativos incompletos excluídos da pesquisa. Dos 109 já digitalizados no SPV, a média de idade dos trabalhadores foi de 59,21 anos e tempo de trabalho na universidade de 15 anos ou mais para 87,15% dos funcionários. A maioria (75,23%) deles trabalha no ruído, sendo que 53,21% dos trabalhadores apresentaram perda auditiva na audiometria. Quanto ao uso de protetor auricular, 29,36% referem não utilizar e 28,44% não informaram ou o uso do protetor não se aplica à função. Destaca-se que dentre aqueles que trabalham no ruído, 30,49% referem não escutar bem. Conclusão: O SPV tem se mostrado imprescindível no processo de identificação do perfil dos trabalhadores expostos ao ruído da universidade, revelando as fragilidades e potencialidades do monitoramento audiológico, tanto em nível individual quanto coletivo. É um aliado da vigilância em saúde, permitindo o planejamento e a implementação de ações que visem reduzir e/ou eliminar os riscos para a perda auditiva causada pelo ruído.
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