A NEUROCIÊNCIA AUDITIVA E SUAS RELAÇÕES COM O FENÔMENO DO OUVIDO ABSOLUTO
Santos , M. F. ;
Bezerra, L. B. M ;
Pereira, V. R. C. ;
Introdução: A neurociência é uma ampla área do conhecimento que estuda o funcionamento do sistema nervoso por meio de várias tecnologias, com o intuito de compreender as estruturas neurais, os órgãos do sistema nervoso, suas respectivas funções e como o funcionamento dessas estruturas resulta nas ações do ser humano (GUERRA, 2011; MOORE et al., 2018). O ouvido absoluto (OA) é definido como sendo a habilidade de reconhecer, definir, cantar ou nomear uma determinada nota musical, não sendo necessário o auxílio de uma referência externa para comparação (BACHEM, 1955; VANZELLA et al., 2010; VANZELLA & RANVAUD, 2014; GERMANO, 2015). Objetivo: verificar, por meio de uma revisão de literatura, como o estudo da neurociência pode contribuir para compreender o fenômeno do ouvido absoluto. Metodologia: Foi realizada uma revisão integrativa de literatura, no período de abril a maio de 2021, utilizando a pergunta norteadora: “Como a neurociência contribui para o entendimento sobre o fenômeno do ouvido absoluto?”. Foram utilizadas as bases de dados: PubMed, Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Scielo, Lilacs e Portal de Periódicos da Capes, utilizando os seguintes descritores como estratégia de busca: “neuroscience” AND “absolute pitch”. Inicialmente, foram encontrados um total de 266 estudos nas cinco bases de dados. Após uma prévia seleção por meio da leitura dos títulos e resumos, foram selecionados 11 artigos. Deste total, após a leitura na íntegra, 2 estudos foram excluídos por não responderem à questão norteadora e 9 foram selecionados para compor a amostra final. Resultado: Dos estudos selecionados, 88,9% (n=8) são publicações internacionais com levantamento de dados e 11,1% (n=1) refere-se a uma revisão de literatura, publicada nacionalmente. A população dos estudos foi composta por músicos com OA, músicos sem OA e não músicos. Em 88,9% (n=8) dos estudos, foi observado o melhor desempenho dos músicos com OA nos testes aplicados em comparação ao grupo sem OA. 44,4% (n=4) dos estudos mostraram que os portadores de OA possuem maior conectividade, padrão da atividade neural, em áreas especificas do cérebro em relação aos músicos sem OA (LOUI et al., 2011; LOUI; ZAMM; SCHLAUG, 2012; JÄNCKE; LANGER; HÄNGGI, 2012; ELMER et al., 2015). Em seus estudos, Loui et al., (2011) e Elmer et al., (2015) relataram predominância de conectividade no hemisfério esquerdo, sendo um preditivo do bom desempenho no teste de ouvido absoluto nos músicos com OA quando comparado aos músicos sem OA (ELMER et al., 2015). Conclusão: Pôde-se concluir que não há clareza na literatura sobre a origem e desenvolvimento do OA, porém foi possível concluir que os portadores de OA apresentam alterações específicas de neuroanatomia e fisiologia, como maior conectividade intracraniana em músicos com OA em comparação a músicos sem OA, além de maior volume à esquerda em determinadas regiões cerebrais.
BAHARLOO, Siamak et al. Absolute pitch: an approach for identification of genetic and nongenetic components. The American Journal of Human Genetics, v. 62, n. 2, p. 224-231, 1998.
GERMANO, N.G. Em busca de uma definição para o fenômeno do Ouvido Absoluto. 2015. 133 f. Dissertação (Mestrado em Música) – Instituto de Artes, Universidade Estadual Paulista. São Paulo. 2015.
VANZELLA, Patricia; RANVAUD, Ronald. Por dentro do ouvido absoluto: Investigações por neuroimagem. PERCEPTA-Revista de Cognição Musical, v. 1, n. 2, p. 51, 2014.
ELMER, Stefan et al. Bridging the gap between perceptual and cognitive perspectives on absolute pitch. Journal of Neuroscience, v. 35, n. 1, p. 366-371, 2015.
LOUI, Psyche; ZAMM, Anna; SCHLAUG, Gottfried. Enhanced functional networks in absolute pitch. Neuroimage, v. 63, n. 2, p. 632-640, 2012.
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