DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO EM CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA EM CENTRO ESPECIALIZADO DE REABILITAÇÃO: IDENTIFICAÇÃO DE BARREIRAS NO FLUXO DE ATENDIMENTO
Rúpolo, A. C. ;
Novaes, B. C. A. C. ;
Pereira, R. S. ;
Mendes, B. C. A. ;
Introdução: O diagnóstico e intervenção da deficiência auditiva em crianças realizado nos primeiros meses de vida são considerados fatores determinantes para o desenvolvimento de habilidades auditivas e de linguagem. Fatores como o uso efetivo e qualidade do dispositivo eletrônico, terapia fonoaudiológica, expectativas dos familiares e sua implicação com o tratamento são fatores importantes para o prognóstico da criança, bem como aspectos relativos às condições socioeconômicas, culturais e acadêmicas. A rede de saúde organiza o fluxo de encaminhamentos de bebês e crianças com queixa de perda de audição para que o atendimento transcorra de forma oportuna com o início da intervenção fonoaudiológica e a adesão a suas etapas. No entanto, inúmeras intercorrências podem acontecer ao longo desse processo, gerando barreiras que dificultam o bom desenvolvimento da criança. Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi analisar o processo de intervenção de crianças diagnosticadas com deficiência auditiva permanente em um serviço de referência em saúde auditiva. Método: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de ética e pesquisa sob o parecer número 155/2011, realizada a partir dos prontuários e dados de agendamento de crianças com deficiência auditiva diagnosticadas nesse Centro Especializado em Reabilitação. Este estudo teve caráter descritivo quanti/qualitativo. Os sujeitos foram caracterizados do ponto de vista demográfico e audiológico a partir de relações estabelecidas entre o processo de encaminhamento, diagnóstico e intervenção e as características dos pacientes, além dos retornos para acompanhamento audiológico. Resultados: Do total das crianças 40,91% (18) apresentaram índice de inteligibilidade de fala (SII) <36%, 20,45% apresentaram SII entre 36 e 55 e 38,64% apresentaram SII≥56. Da população total do estudo, 72,97% das crianças tiveram um tempo maior ou igual a seis meses entre a seleção do aparelho e o acompanhamento. As crianças que têm melhor frequência no diagnóstico (≥75%) foram aquelas cuja mediana de idade no momento da primeira consulta no serviço é maior; 80% das crianças que têm melhor frequência no diagnóstico (≥75%) foram do sexo masculino. As crianças que compareceram em um período menor de tempo (menor que seis meses) entre a adaptação de AASI e o primeiro acompanhamento foram aquelas cuja mediana de idade no momento da consulta foi menor que 20 meses. As crianças que compareceram em um período menor (menor que seis meses) entre a adaptação de AASI e o primeiro acompanhamento foram aquelas cuja mediana de distância em quilômetros até o serviço foi de <20km. Conclusão: A análise dos dados de audibilidade, idade do diagnóstico e distância percorrida até o serviço têm se mostrado como fatores importantes em relação à adesão ao tratamento. É importante que o serviço identifique ações e características que possam melhorar o comparecimento às sessões de terapia e acompanhamento audiológico para que o prognóstico de desenvolvimento de linguagem possa ser alcançado.
1-Fichino,SN; Avelino, VLF; Lewis,DR. Característica demográficas e audiologicas da população pediátrica de um centro de referência em saúde auditiva de São Paulo. Distúrbiodecomun,2018.
2-Figueiredo, Renata de Souza Lima et al. Classificação de perdas auditivas por grau e configuração e relações com Índice de Inteligibilidade de Fala (SII) amplificado. CoDAS [online]. 2016, v. 28, n. 6 [Acessado 2 Novembro 2021] , pp. 687-696. Disponível em:
3-Yoshinaga-Itano C, Sedey AL, Wiggin M, et al. Early Hearing Detection and Vocabulary of Children With Hearing Loss. Pediatrics. 2017;140(2):e20162964
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