Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

O EFEITO DO TREINAMENTO MUSICAL SOBRE OS PROCESSAMENTOS TEMPORAL E ESPECTRAL - UMA INVESTIGAÇÃO COMPORTAMENTAL E ELETROFISIOLÓGICA
Leite Filho, C. A. ; Rocha-Muniz, C. N. ; Schochat, E. ;

Introdução: Os efeitos benéficos da música sobre o processamento auditivo central são amplamente documentados. No entanto, esta influência não é indiscriminada, refletindo sobre aspectos específicos do processamento neural da informação acústica. Devido à sua relação com habilidades musicais, dois candidatos a serem beneficiados pelo treinamento musical são os processamentos temporal e espectral, que podem ser avaliados por procedimentos comportamentais, como o Teste de Fala Filtrada (TFF) e o Teste de Mascaramento Temporal Sucessor (TMTS), ou eletrofisiológicos, como o Frequency-Following-Response (FFR). Objetivo: verificar o efeito do treinamento musical sobre os processamentos temporal e espectral da informação auditiva. Metodologia: estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (parecer nº 2.807.397) com os voluntários assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Participaram da pesquisa 22 adultos jovens destros com resultados normais na avaliação audiológica básica, no potencial evocado auditivo de tronco encefálico e nos testes de Fala Comprimida, Dicótico de Dígitos e Gaps-in-Noise que negaram histórico de alterações audiológicas, otológicas, neurológicas, linguísticas ou motoras. Foram organizados dois grupos: grupo de músicos (GM, n = 15, 6 do gênero feminino, média de idade = 25,40 ± 2,69 anos), composto por músicos profissionais com extenso tempo de treinamento musical (média de tempo de treinamento musical = 15,00 ± 5,07 anos); e grupo de não-músicos (GNM, n = 7, 3 do gênero feminino, média de idade = 22,00 ± 2,58 anos), composto por indivíduos sem treinamento musical significativo ao longo da vida. Todos os voluntários foram submetidos ao TFF, para o qual se calculou a taxa de acertos, e ao TMTS, para o qual foram calculados a taxa de acertos e o limiar de detecção de intervalo. Além disso, todos os participantes realizaram o exame eletrofisiológico FFR, registrado por meio do equipamento Bio-logic Navigator Pro, para o qual foram coletadas informações referentes aos parâmetros de análise nos domínios de tempo e frequência. Os grupos foram comparados quanto às medidas destes procedimentos por meio do teste t de Student para amostras independentes e correlações entre as medidas comportamentais, medidas eletrofisiológicas e o treinamento musical foram investigadas por meio do teste de correlação de Pearson. Resultados: Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre os grupos em relação às medidas do TFF e do TMTS, no entanto houve correlação positiva estatisticamente significante entre a porcentagem de acertos no TFF e o tempo de estudo formal de música. Quanto ao FFR, o GM apresentou maior média de área do complexo V-A e maior latência da onda E em comparação ao GNM. O tempo de treinamento musical apresentou correlação negativa com a latência da onda D e positiva com a latência da onda E, ambas estatisticamente significantes. Nas análises de correlação entre medidas comportamentais e eletrofisiológicas, o GM apresentou mais correlações estatisticamente significantes em comparação ao GNM. Conclusão: O treinamento musical impactou significativamente nos processamentos temporal e espectral da informação auditiva, sendo que o maior tempo de treinamento musical se relacionou ao processamento mais refinado das características temporais e espectrais do som.

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DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.642
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/642


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