QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES USUÁRIOS DE PRÓTESES AUDITIVAS E SUAS CORRELAÇÕES COM OS ÍNDICES DE INTELIGIBILIDADE E DE RECONHECIMENTO DE FALA
Inocêncio, LM ;
Andrade, MCDM ;
Souza, MRF ;
Martinelli, MC ;
Introdução: Os ritmos de aprendizagem e de desenvolvimento variam entre crianças, e aquelas com perda auditiva podem apresentar maiores dificuldades nessa empreitada. As próteses auditivas constituem o primeiro passo do processo de reabilitação da audição. A adaptação precoce desses dispositivos minimiza a ocorrência da privação sensorial, reduz o prejuízo no desenvolvimento geral e amplia as perspectivas de melhor Qualidade de Vida. Existem poucos estudos que avaliam a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde de crianças e adolescentes com deficiência auditiva. Um dos instrumentos disponíveis para essa finalidade é o Pediatric Quality of Life Inventory™(PedsQL) – Generic Core Scales, composto por um módulo de autoavaliação pelas crianças e um módulo de avaliação pelos pais, com 23 itens cada, que resultam no escore total. Os 23 itens são distribuídos em quatro dimensões (capacidade física, aspecto emocional, atividades sociais e atividades escolares) e em duas subescalas (saúde psicossocial e saúde física). Objetivo: Avaliar e comparar a qualidade de vida de crianças e adolescentes usuários de próteses auditivas na perspectiva deles e de seus cuidadores e investigar a presença de correlações das pontuações do questionário PedsQL com o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala e o Índice de Inteligibilidade de Fala com e sem próteses auditivas. Metodologia: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética sob o número 0120/2021. A amostra foi composta por 17 crianças com perda auditiva neurossensorial acompanhadas por ao menos um de seus responsáveis. Foi realizada uma entrevista por videoconferência na qual foram investigados dados da história clínica e foi aplicado o questionário PedsQL às crianças e adolescentes e aos responsáveis. Também foram registradas informações contidas em prontuário sobre diagnóstico e reabilitação audiológica. Os resultados foram analisados estatisticamente com emprego dos testes de Shapiro-Wilk, t de Student, de postos sinalizados de Wilcoxon e de correlação de Pearson e Spearman, com valor de significância igual a 5%. Resultados: Foram entrevistados 11 (64,71%) pacientes do sexo masculino e seis (35,29%) do sexo feminino, e 11 (64,71%) apresentaram perda auditiva de grau moderado. Não houve diferença estatisticamente significante entre as pontuações obtidas pelos pacientes e pelos responsáveis quando comparadas as respostas por questão, nas dimensões, nas subescalas e no escore total do PedsQL. Foi observada correlação positiva entre o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala da melhor orelha e a Dimensão Social quando o PedsQL foi aplicado aos pacientes, bem como entre o Índice de Inteligibilidade de Fala com próteses auditivas e a Dimensão Atividade Escolar quando o PedsQL foi aplicado aos responsáveis. Conclusão: Há semelhança ao comparar a avaliação da Qualidade de Vida realizada pelos menores e a avaliação realizada por seus responsáveis. A dimensão melhor avaliada por pacientes e por cuidadores é a de Capacidade Física. A dimensão pior avaliada pelos pacientes é a Emocional, enquanto a pior avaliada pelos cuidadores é a Atividade Escolar. Tanto para pacientes quanto para cuidadores, a subescala Saúde Psicossocial é a que mostra pontuações mais baixas. Fatores como reconhecimento de fala e audibilidade com próteses auditivas impactam nos resultados de qualidade de vida dessa população.
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