Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

PERDA AUDITIVA E PROGRESSÃO DA FRAGILIDADE EM IDOSOS EM CONTEXTO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
Costa-Guarisco, L.P.C ; Silva, E.V.Z.N ; Zazzetta, M.S. ; Orlandi, F. S. ; Pavarini, S. C. I. ; Cominetti, M. R. ; Jesus, I. T. M. ; Gomes, G. A. O. ; Gratão, A. C. M. ; Campos, R. D. S. ;

De acordo com a literatura recente, problemas de audição podem estar associados à fragilidade, sugerindo que a deficiência auditiva acelera sua progressão. A fragilidade é definida como uma síndrome clínica baseada na incapacidade do corpo de responder adequadamente a fatores de estresse, devido a multideficiências e diminuição das reservas fisiológicas. O efeito da perda de reserva fisiológica associada à fragilidade pode ser minimizado com apoio social, no entanto, problemas de comunicação devido a deficiência auditiva podem restringir o engajamento social e, assim, o apoio social . Um maior conhecimento por parte dos profissionais da saúde acerca do processo de fragilidade e os principais determinantes para transição entre seus níveis possibilitaria ações preventivas e de reabilitação. Entende-se que é importante investigar a relação entre perda auditiva e a progressão da fragilidade para determinar se a prevenção e o tratamento da deficiência auditiva poderiam minimizar as consequências da fragilidade no indivíduo idoso. O objetivo deste estudo foi verificar se a perda auditiva está relacionada à progressão da fragilidade em idosos. Desenvolveu-se uma pesquisa longitudinal, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, com 345 idosos avaliados em 2015 e 223 reavaliados em 2017, compondo duas coortes: coorte 1, de indivíduos não frágeis e coorte 2, de indivíduos pré-frágeis no estudo basal. Comparou-se os resultados da fragilidade entre 2015 e 2017 para verificar a progressão da fragilidade. 68 idosos foram excluídos por serem frágeis em 2015. A fragilidade foi avaliada por meio do fenótipo de fried e a audição foi avaliada por meio de uma pergunta única (“O senhor já possui alguma dificuldade auditiva?”) e pelo questionário Hearing Handicap Inventory for the Elderly - Screening version (HHIE-S), para mensurar a restrição na participação auditiva. Também foram coletados dados sóciodemograficos e de saúde, rastreio cognitivo e de sintomas depressivos da população estudada. Utilizou-se regressão logística para verificar associação entre audição e progressão da fragilidade. Resultados: 17% pioraram a fragilidade em dois anos. As coortes se diferenciavam quanto ao sexo, idade e progressão da fragilidade, sendo que a coorte 1 reuniu idosos mais jovens (p<0,001), mulheres (p<0,008) e com mais casos de progressão da fragilidade (p<0,000). Demais características de saúde não se mostraram diferentes na composição das cortes. As variáveis sociodemográficas, saúde, cognição, depressão e audição foram estudadas em cada coorte, segundo a progressão da fragilidade. Não houve nenhum fator relacionado à progressão da fragilidade na coorte 1. No entanto, dentre os indivíduos da coorte 2, a idade, presença de comorbidade e restrição na participação auditiva se mostraram relacionados à progressão da fragilidade. A restrição na participação auditiva apresentou 2,7 vezes maior chance de progressão da fragilidade, comparados àqueles que não apresentavam restrição da participação auditiva (p<0,043). Contudo, após controlar o modelo pelo fator idade e comorbidade a associação entre restrição da participação auditiva e progressão da fragilidade não se manteve. Apesar da restrição na participação auditiva ter se mostrado relacionada à progressão da fragilidade, idade e presença de comorbidade foram os fatores determinantes para a piora dos indivíduos pré-frágeis.

1- Fried, L.P, Tangen, C.M., Walston, J. et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. The Journals of Gerontology Series A: Biological Sciences and Medical Sciences. 2001; v. 56, n. 3, p. M146-M157.
2. Yoo, M.; Kim, S.; Kim, B.; Yoo, J.; Lee, S.; Jang, H.; Cho, B.; Son, S.; Lee, J.; Park, Y.; et al. Moderate hearing loss is related with social frailty in a community-dwelling older adults: The Korean frailty and aging cohort study (KFACS). Arch. Gerontol. Geriatr. 2019, 83, 126–130.
3. Amendola F, Alvarenga MR, Latorre MD, Oliveira MA. Family vulnerability index to disability and dependence (FVI-DD), by social and health conditions. Ciênc Saúde Coletiva. 2017; 22(6): 2063-71.
4. Kamil RJ, Betz J, Powers BB, et al. . Association of Hearing Impairment and Frailty in Older Adults. National Institutes of Health, [S. l.]. 22 ago. 2014; p. 1-5.
5. Liljas AEM, Carvalho LA, Papachristou E, et al. Self-Reported Hearing Impairment and Incident Frailty in English Community-Dwelling Older Adults: A 4-Year Follow-Up Study. The Journal of the American Geriatrics Society [s. L.]. Maio 2017; p. 958-965.
DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.650
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/650


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