TRIAGEM DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DE UM CURSO DE FONOAUDIOLOGIA
Marciano, M.S. ;
Scharlach, R.C. ;
Introdução: O processamento dos sons envolve diferentes habilidades auditivas e a presença de déficits em uma ou mais dessas habilidades pode afetar o processamento da informação auditiva. O Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) é muito discutido, estudado na população infantil e, menos frequentemente discutido na população de jovens adultos particularmente no que diz respeito à avaliação, diagnóstico, tratamento. O indivíduo com TPAC pode apresentar alterações na linguagem oral e escrita, dificuldades de aprendizado e no desempenho acadêmico, além de prejuízos na memória auditiva e dificuldade de compreensão em ambientes ruidosos. Contudo, essas associações contêm uma grande heterogeneidade com diferentes déficits nas habilidades auditivas e variadas dificuldades de leitura e escrita observadas na clínica. Objetivo: Analisar os resultados da triagem do processamento auditivo central em universitários de um curso de Fonoaudiologia. Metodologia: Estudo observacional, retrospectivo com análise de prontuários de estudantes do primeiro semestre de um curso de Fonoaudiologia da região sul do Brasil, no período de 2015 a 2017. A pesquisa foi analisada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos sob o número CAAE: 26193219.9.000.0121. Os estudantes foram submetidos a três testes comportamentais para triagem do processamento auditivo central: Teste Dicótico de Dígitos (TDD), Teste de Fala Comprimida (TFC) e o Teste de Padrão de Frequência (TPF). Além disso, responderam um questionário para rastreamento auditivo, responderam ao questionário Scale of Auditory Behaviors (SAB). Os dados obtidos foram tabulados e submetidos a uma análise estatística descritiva e inferencial por meio de testes não paramétricos, com nível de significância de 5%. Resultados: No período estudado foram realizadas 100 triagens, contudo nem todas puderam ser utilizadas na presente pesquisa. Desta forma, a amostra final foi composta pela análise de 18 triagens, sendo que todas eram de acadêmicos do sexo feminino, com idade variando de 18 a 25 anos. Não foram observadas correlações significativas entre os testes aplicados e nenhuma relação entre os testes realizados. O TFC foi o teste com maior número de alterações. Conclusão: Em sua maioria, os universitários desta pesquisa, não apresentaram queixas auditivas e apresentaram resultados normais no questionário SAB, no TDD e no TPF. Não houve correlação ou relação entre o comportamento auditivo e os resultados dos testes comportamentais do processamento auditivo central.
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