REDE DE SAÚDE AUDITIVA NO RIO GRANDE DO NORTE: ANÁLISE SITUACIONAL
Pedrosa, B. H. ;
Araújo, B. E. M. ;
Araújo, E. S. ;
A perda auditiva (PA) atinge 1,5 bilhão de pessoas em nível global. A Organização das Nações Unidas prevê que em 2050, o número de pessoas com PA deve chegar a quase 2,5 bilhões, dos quais 700 milhões necessitarão de intervenções, configurando um problema de saúde pública, visto que, quando não quando não identificado precocemente, acarreta dificuldades para a aquisição e desenvolvimento de fala e linguagem, além dos custos gerais que a PA não tratada gera a longo prazo. Em 2010, a realização da Triagem Auditiva Neonatal tornou-se obrigatória no Brasil e, para que seu objetivo seja de fato alcançado, faz-se importante uma rede de saúde estruturada e com sistema de referência e contrarreferência operativo. Sem as etapas subsequentes de diagnóstico funcional e reabilitação, a TAN não será efetiva. Assim, para além da realização do teste e reteste, faz-se necessário a garantia de um monitoramento e acompanhamento do desenvolvimento da audição e linguagem. Neste contexto, o objetivo do presente estudo foi identificar os serviços de TAN no estado do Rio Grande do Norte (RN), verificar as ações de saúde auditiva e analisar o fluxo de encaminhamento nos diferentes níveis de atenção à saúde do estado. Trata-se de um estudo exploratório transversal, com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição, parecer 4.627.828, realizado em etapas: (1) análise no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) das instituições credenciadas no estado na área de saúde auditiva; (2) envio de questionário online às secretarias municipais de saúde e aos profissionais que atuam nos estabelecimentos em diversas tentativas por e-mail e contato telefônico; (3) busca ativa, por meio de contato telefônico, com as famílias após falha na TAN no programa de uma maternidade pública. Contatou-se que o RN possui oito estabelecimentos com a modalidade de saúde auditiva, sendo cinco Centros Especializados de Reabilitação (CER) e três Serviços Específicos de Saúde Auditiva de Alta Complexidade. Em relação aos serviços de TAN, foram identificados um total de 12, em municípios distintos. Com apenas 14 respostas válidas no questionário, nove foram de profissionais que atuam na gestão das secretarias e cinco de fonoaudiólogos que atuam com TAN. Nenhuma resposta foi registrada com a indicação de existência de um banco de dados completo, com sistema de referência e contrarreferência e controle de indicadores de qualidade da TAN à intervenção. Do total de 41 crianças encaminhadas para diagnóstico audiológico no período analisado, obteve-se 23 contatos efetivos (56,10%) e, destas, 15 haviam realizado a avaliação. Três teve confirmação de perda auditiva, porém ainda não haviam sido adaptadas com dispositivos eletrônicos. Diante dos resultados obtidos, conclui-se que há notória dificuldade de implantação dos programas de TAN no RN e na articulação entre os diferentes níveis de atenção à saúde auditiva infantil, além de uma perceptível dificuldade em relação à transparência e acesso dos dados. Salienta-se a importância de estudos dessa natureza em âmbito nacional, visto que ainda são incipientes, além de contribuir para o desenvolvimento de ações e políticas públicas que abranjam o acesso dos programas de saúde auditiva infantil.
1. Lobo MG, Andrade CLO, Alves C. Avaliação da cobertura de triagem auditiva neonatal nas macrorregiões de saúde do estado da Bahia entre os anos de 2011 a 2018. Rev Ciênc Méd Biol. 2020; 19(4): 565 - 571.
2. Agostinho RS. Saúde Auditiva Infantil na rede de saúde pública: é uma realidade? [Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo; 2019.
3. Tordrup D, Smith R, Kamenov K, Bertram MY, Green N, Chadha S. Global return on investment and cost-effectiveness of WHO’s HEAR interventions for hearing loss: a modelling study. Lancet Glob Health. 2022; 10: 52-62.
4. World Health Organization. Word report on hearing. Geneva: World Health Organization; 2021.
5. Organização Mundial da Saúde. Financiamento dos Sistemas de Saúde: O caminho para a cobertura universal. Geneva: World Health Organization; 2010.
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