Encontro Internacional de Audiologia

ANAIS - TRABALHOS CIENTÍFICOS

MONITORAMENTO AUDITIVO DE CRIANÇAS NASCIDAS DE MÃES COM COVID-19: UM ESTUDO PRELIMINAR
da Silva, G. P. S. ; Jales, J. M. R. ; Santos, A. B. S. ; Pedrosa, B. H. ; Saters, T. L. ; Araújo, E. S. ;

As medidas restritivas impostas pela COVID-19 refletiram em redução das ações nas diferentes etapas dos programas de saúde auditiva infantil. Além disso, estudos recentes sinalizaram que a infecção por SARS-CoV-2 e o potencial ototóxico de alguns medicamentos podem causar alterações no sistema auditivo. Embora diversas infecções congênitas sejam consideradas indicadores de risco para a deficiência auditiva (IRDA), são escassas as pesquisas que avaliaram o impacto da COVID-19 no sistema auditivo de crianças. Assim, este estudo teve como objetivo investigar, de forma preliminar, o impacto do cenário da COVID-19 na realização da TAN e do monitoramento auditivo, além de analisar possíveis efeitos da infecção materna por SARS-Cov- 2 na audição das crianças. Trata-se de um estudo observacional prospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer 5.223.860). Participaram 71 crianças, nascidas de mães que positivaram para COVID-19, no período de março de 2020 a dezembro de 2021 em uma maternidade pública. Na primeira etapa do estudo, analisou-se o banco de dados da maternidade, com o quantitativo de crianças triadas e o resultado obtido. Na segunda etapa, realizou-se o acompanhamento auditivo por meio de contato telefônico, com duas tentativas em horários distintos. Utilizou-se um questionário previamente validado, contendo três questões por faixa etária, tendo a pergunta “Seu filho ouve bem?” em todas as idades. Na etapa 3 foi realizada a avaliação audiológica completa das crianças. O protocolo incluiu procedimentos eletroacústicos, eletrofisiológicos e comportamentais, norteados pelo princípio cross-check. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Do total de crianças nascidas de mães com COVID-19, 11 (15,5%) haviam sido submetidas à TAN, sendo que quatro (5,6%) foi antes da alta hospitalar e sete (9,8%) de forma ambulatorial, com idade média de 31 dias. Todas foram triadas com emissões otoacústicas evocadas por transientes e tiveram resultado “passa” bilateral. Destas, cinco apresentaram IRDA, sendo a hiperbilirrubinemia, o uso de medicamento ototóxico e a ventilação mecânica os mais recorrentes. Na etapa 2, obteve-se sucesso nas tentativas de contato com nove (12,67%) famílias, destas, uma mãe referiu tratamento de transplante de pulmão após o COVID-19 e, uma mãe e um bebê faleceram de COVID-19. Dessa forma, o acompanhamento foi realizado com sete (10%) crianças. Todas as mães relataram que seus filhos ouvem bem e as respostas evidenciaram desenvolvimento dentro do esperado. Além disso, nenhuma destas crianças foi detectada com COVID-19 após o nascimento. Na etapa 3, seis famílias tiveram dificuldade de comparecer à avaliação por residirem no interior do estado. Uma criança foi submetida à avaliação completa e apresentou audição dentro da normalidade. Diante dos resultados preliminares obtidos, conclui-se que o cenário da COVID-19 refletiu um percentual restrito de crianças triadas e o monitoramento em uma busca ativa por contato telefônico teve alcance limitado. Assim, é essencial a articulação do programa de TAN com a atenção primária; pois embora até o momento nenhuma das mães tenha observado possíveis sinais de alteração auditiva em seus filhos, ressalta-se a necessidade de estudos adicionais com casuísticas maiores e longitudinais para analisar os impactos da COVID-19 no sistema auditivo infantil.

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DADOS DE PUBLICAÇÃO
Página(s): p.657
ISSN 1983-1793X
https://audiologiabrasil.org.br/37eia/anais-trabalhos-consulta/657


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